Argumentações Críticas 2 – Vídeos

Max Weber (9) * Por Que Sociologia NÃO É Física – Ciência Humana vs. Natural

Gottlob Frege (1) * O Gênio que Criou a Lógica Moderna e Foi Destruído por um Paradoxo

Max Weber (8) * Política é Violência Legítima – Assuma o Diabo ou Saia

Émile Durkheim (11) * Religião: O Laço Social Sagrado

Max Weber (7) * A Ciência NÃO Dá Sentido à Vida – A ciência como vocação e, a vocação do professor

Franz Kafka (2) * Culpa Edípica e Psicanálise em A Metamorfose e O Processo

Émile Durkheim (10) * O Crime: Uma Necessidade Social

Max Weber (6) * Por Que Só o Ocidente Criou o Capitalismo? (Religiões Comparadas)

Franz Kafka (1) * A Vida, as Obras e o Drama dos Manuscritos do Gênio do Absurdo

Émile Durkheim (9) * Análise Sociológica do Suicídio: Um Fato Social

Max Weber (5): Os 4 Tipos de Ação Social que Controlam Sua Vida

Modelo do Jogo da Vida em Sociedade (4) * A Teoria que Revela as Regras do Sucesso Social e Pessoal

Émile Durkheim (8) * Educação: Moldando a Sociedade

Max Weber (4) * A Gaiola de Ferro da Burocracia que Prende Sua Vida

Sílvio Romero (1) * O Gênio Polêmico da Identidade Brasileira: Vida, Obra e Ideias

Émile Durkheim (7) * Anomia: A Crise das Normas Sociais

Max Weber (3) * Como o Protestantismo Criou o Capitalismo Moderno

Wilhelm Dilthey (1) * Vida, Filosofia e as Ciências do Espírito Explicadas

Émile Durkheim (6) * Divisão do Trabalho: Solidariedade Mecânica e Orgânica

Max Weber (2) * Os 3 Tipos de Dominação que Explicam Todo Poder

Georg Simmel (10): Filosofia da Moda – Ser Único ou Seguir a Onda?

Émile Durkheim (5) * Consciência Coletiva: A Alma da Sociedade

Max Weber (1) * Vida, Depressão e a Gaiola de Ferro que Explica o Mundo Moderno

Georg Simmel (9) * Atitude Blasé e Reserva – A Vida nas Cidades

Émile Durkheim (4) * Fato Social: A Realidade Coletiva

Georges Sorel (1) * Vida, Ideias Explosivas e Influência na Esquerda Radical

Georg Simmel (8) * Filosofia do Dinheiro – Liberdade ou Prisão?

Émile Durkheim (3) * O Método: A Ciência da Sociedade

Mário Ferreira dos Santos (6) * Filosofia Concreta e o Brasil (2000-2025): Uma Visão Conservadora

Georg Simmel (7) * Comando e Subordinação – Quem Manda na Sociedade?

Émile Durkheim (2) * Funcionalismo: A Sociedade Como Organismo Vivo

Mário Ferreira dos Santos (5) * Ética, Direito e Sociedade na Filosofia Concreta

Georg Simmel (6) * Conflito e Cooperação – Por Que Brigamos e Nos Unimos?

Émile Durkheim (1) * Biografia: A Vida do Pai da Sociologia Contemporânea

Georg Simmel (5) * O Estrangeiro e a Alteridade – Identidade e Exclusão

Charles Sanders Peirce (5) * Tricotomias e a Estrutura da Semiótica

Mário Ferreira dos Santos (3) * Filosofia Concreta: Unindo Ciência, Símbolos e Educação

Georg Simmel (4) * O Indivíduo e a Sociedade

Charles Sanders Peirce (4) * Dedução, Indução, Abdução e a Lógica Pragmática

Georg Simmel (3) * Sociação: O Que Faz a Sociedade Existir?

Blade Runner: Escolhas nos Fazem Humanos? Sartre, Heidegger e Kant Explicam

Georg Simmel (2) * Sociologia das Formas: Entenda as Interações Sociais

Matrix: Filosofia da Liberdade, Verdade e Controle em um Mundo de Ilusões

Georg Simmel (1) * A Vida do Grande Sociólogo e Filósofo

O Vazio Existencial na Roma de “La dolce vita”: Filosofia e Cinema

Arthur Schopenhauer (12) * As Quatro Raízes do Princípio de Razão Suficiente

O Mal em Ghost Ship: Filosofia, Religião e Terror no Navio Fantasma

Georg Cantor (1) * O Homem que Domou o Infinito

Maçonaria: Origem, Filosofia, Símbolos e Influência na História

Semiótica e Lógica de Charles Sanders Peirce (3): As 10 Tricotomias, Dedução, Indução e Abdução

Charles Sanders Peirce (2) e o Pragmaticismo: A Filosofia das Consequências Práticas

Charles Sanders Peirce (1): Vida e Legado do Filósofo do Pragmatismo

Do Rio de Janeiro ao YouTube: Como Virei Filósofo e Psicólogo

Renascimento (2) * O caracterizou o Renascimento? – Mini Curso de Filosofia

Superman (2025): Filosofia, Esperança e o Fim da Cultura Woke no Cinema

Nietzsche (17) * Nietzsche e o Espírito de Gravidade – Friedrich Nietzsche

Iluminismo (2) * Século das Luzes Explicado – Mini Curso de Filosofia

Anselmo da Cantuária (4) * O Argumento a Posteriori – Mini Curso de Filosofia

Schopenhauer em 60 Segundos: Um Olhar Fascinante #Shorts

Nietzsche (16) Schopenhauer (10) * Nietzsche vs. Schopenhauer: Vida ou Negação? Friedrich Nietzsche

Leucipo (2) e Demócrito (2) * Átomos: Tudo é Partícula? – Mini Curso de Filosofia

Anselmo da Cantuária (3) * O Argumento Ontológico – Mini Curso de Filosofia

Kierkegaard e o Existencialismo #Shorts

Nietzsche (15) * Amor Fati: Amar o Destino? – Friedrich Nietzsche

Pirro (2) e Hume (3) * Ceticismo: Verdade ou Dúvida? Mini Curso de Filosofia

Agostinho de Hipona (3) * A Cidade de Deus – Mini Curso de Filosofia

Hobbes em 60 Segundos: Coisas Fascinantes #Shorts

Nietzsche (14) * Camelo, Leão, Criança: Transformação da Alma – Friedrich Nietzsche

Platão (20) * Doxa ou Episteme? – Mini Curso de Filosofia

Giordano Bruno (4) * Cosmos sem Fim – Mini Curso de Filosofia

Curiosidades sobre Jean-Jacques Rousseau pra Impressionar #Shorts

Nietzsche (13) * Nietzsche e o Perspectivismo: Múltiplas Verdades – Friedrich Nietzsche

Maquiavel Machiavelli (2) * Natureza Humana Revelada – Mini Curso de Filosofia

Arthur Schopenhauer (9) * O Mundo como Vontade – Mini Curso de Filosofia

Berkeley em 1 Minuto: Curiosidades Incríveis #Shorts

Nietzsche (12) * Dionísio e Apolo: A Arte da Vida – Friedrich Nietzsche

Immanuel Kant (16) * Revolução Copernicana da Mente – Mini Curso de Filosofia

Platão (19) * O Mundo das Ideias – Mini Curso de Filosofia

Descubra David Hume em Curiosidades Rápidas #Shorts

Blade Runner: O que Nos Faz Humanos? Sartre, Heidegger e Kant Desvendam os Replicantes

Nietzsche (11) * Vontade de Potência Explicada – Friedrich Nietzsche

Hegel (11) * Como a História Avança? – Mini Curso de Filosofia

Positivismo: O Fato em Foco – Mini Curso de FIlosofia

Spinoza em 1 Minuto: Curiosidades Incríveis #Shorts

Nietzsche (10) * Eterno Retorno: Um Teste para a Vida – Friedrich Nietzsche

Giordano Bruno (5) * Universo Infinito e Além – Mini Curso de Filosofia

Utilitarismo: O Cálculo do Bem – Mini Curso de Filosofia

Descartes: Segredos do Pai da Modernidade #Shorts

Nietzsche (9) * Além do Homem: Quem é o Übermensch? – Friedrich Nietzsche

Marx (3) * Religião: Ópio do Povo? – Mini Curso de Filosofia

Aristóteles (28) * A Ética do Justo Meio – Mini Curso de Filosofia

Descubra Christian Wolff em Curiosidades Rápidas #Shorts

Nietzsche (8) * Transmutação de Todos os Valores: O Futuro da Moral – Friedrich Nietzsche

Agostinho de Hipona (4) * Se Deus é Bom, por que o Mal Existe? – Mini Curso de Filosofia

Tales de Mileto (2) * O Pai da Filosofia: Tudo começou com ele – Mini Curso de Filosofia

Matrix e Filosofia: A Verdade Além do Código – Filosofia da Liberdade e Realidade

Leibniz em 1 Minuto: Curiosidades Incríveis #Shorts

Nietzsche (7) * Sem Sentido: O Que é Niilismo? – Friedrich Nietzsche

Montesquieu (2) * O Equilíbrio do Poder – Mini Curso de Filosofia

Para que serve a Filosofia? – Mini Curso de Filosofia

Tomás de Aquino em 1 Minuto: Curiosidades Incríveis #Shorts

Nietzsche (6) * Deus Está Morto: E Agora? – Friedrich Nietzsche

Epicuro (2) * O Segredo da Vida Feliz – Mini Curso de Filosofia

Crítica ao Utilitarismo: O Dilema do Trem – Mini Curso de Filosofia

Agostinho em 1 Minuto: Curiosidades Incríveis #Shorts

Nietzsche (5) * Moral do Nobre e do Escravo Explicada – Friedrich Nietzsche

Hegel (12) * A Dialética de Hegel: O Mundo em Movimento – Mini Curso de Filosofia

René Descartes (4) * A Revolução do Cogito – Mini Curso de Filosofia

Desvendando “La Dolce Vita” (Felline, 1960): Nietzsche, Dostoiévski e a Crise Existencial de Roma

Empédocles: Segredos do Poeta do Cosmos #Shorts

Nietzsche (4) * Ideal Religioso Desmascarado – Friedrich Nietzsche

Razão e Entendimento: Como Pensamos? – Mini Curso de Filosofia

Guilherme de Ockham (2) * A Navalha da Simplicidade – Mini Curso de Filosofia

Descubra Parmênides em Curiosidades Rápidas #Shorts

Nietzsche (3) * Ideal Ascético: Vida é Sofrimento? – Friedrich Nietzsche

O que é Epistemologia? A Verdade Existe? – Mini Curso de Filosofia

O Único e o Além do Homem: Max Stirner versus Nietzsche – Mini Curso de Filosofia

Heráclito em 1 Minuto: Curiosidades Incríveis #Shorts

Nietzsche (2) * A Vida do Filósofo Nietzsche

O que é Metafísica? Desvende o Ser – Mini Curso de Filosofia

Immanuel Kant (16) * O Dever Acima dos Desejos – Mini Curso de Filosofia

Aristóteles em 60 Segundos: 5 Coisas Fascinantes #Shorts

Herbert Spencer (1) * O Gênio da Evolução Social

Zenão de Elea (2) * Desafios do Movimento Impossível – Mini Curso de Filosofia

Platão em 60 Segundos: 5 Coisas Fascinantes #Shorts

Labriola (1) * Marxismo Italiano: Vida e Ideias de Antonio Labriola

Dostoiévski (1) * Do Exílio à Fama: Biografia e Ideias de Dostoiévski

Darwin (1) * Quem Foi Charles Darwin? Vida e Teoria que Mudaram o Mundo

Lamarck (1) * Por Que Lamarck Foi Tão Importante? Teoria e Legado Revelados

Ludwig Feuerbach (1) * Feuerbach e a Crítica ao Cristianismo: A Religião Como Projeção Humana

Arthur Schopenhauer (8) * Como Schopenhauer Propõe Transcender a Vontade: A Arte, a Moral e a Ascese

Arthur Schopenhauer (7) O Suicídio e a Força Imbatível da Vontade em Schopenhauer

Desvendando a Maçonaria: Filosofia, História e a Missão dos Irmãos Maçons

5 Curiosidades sobre Sócrates #Shorts


Arthur Schopenhauer (6) * A Metáfora da Formiga Australiana Revelada!

Ontologia na Filosofia: A Ciência do Ser e da Existência – Mini Curso de Filosofia

Aristóteles e John Locke: A Tábula Rasa O que realmente sabemos ao nascer? – Mini Curso de Filosofia

Arthur Schopenhauer (5) * Filosofia e Metáforas: O Cego e o Aleijado

Arthur Schopenhauer (4) * Onde os Pombos Já Voam Assados: A Metáfora Revelada

Curiosidades sobre Immanuel Kant #Shorts

A origem do Mal: Agostinho e outros pensadores e o filme Ghost Ship – Navio Fantasma

Arthur Schopenhauer (3) * Entre o Desejo e o Tédio: O Pêndulo Existencial

Lógica Simplificada: Conheça os 4 Princípios Essenciais – Mini Curso de Filosofia

Platão (18) * A Alegoria da Caverna Explicada – Mini Curso de Filosofia

Filosofia Positiva em 1 Minuto: Augusto Comte #Shorts

Live Especial: Conheça o DrSilverio e o Canal de Filosofia e Temas Afins

Arthur Schopenhauer (2) * Vontade e Representação

Descubra a Filosofia: O Que Ela É e Por Que Você Precisa Dela – Mini curso de filosofia

Michel Foucault (9) * O Poder em Michel Foucault – Mini Curso de Filosofia

Arthur Schopenhauer (1) * A Fascinante Jornada de Vida do Pai do Pessimismo

John Stuart Mill (3) * Lógica e Epistemologia

John Stuart Mill (2) * Liberdade Individual e o Papel da Educação na Sociedade

John Stuart Mill (1) * O Filósofo da Liberdade e do Utilitarismo

James Mill (1) * Por que Suas Ideias Ainda São Relevantes Hoje

Augusto Comte (1) * A Revolução do Pensamento Científico e Social

Max Stirner (1) * Vida e Ideias do Pai do Egoísmo Filosófico

Søren Kierkegaard (1) * Entenda o Desespero e a Angústia Existencial

Jeremy Bentham (1) * O Fundador do Utilitarismo e a Revolução na Ética

Pierre-Simon Laplace (1) * O Gênio Matemático que Inspirou Newton e Einstein

Joseph de Maistre (1) * O pensador Anti-Iluminista e defensor do Absolutismo: Reflexão Filosófica

Reflexão Filosófica sobre Autoconsciência

Fazer ou Ser: Uma Crítica

Celebridades Instantâneas: O Mito da Fama Efêmera e Passageira – Celebridades da Fama

Revolução Russa: fome, holodomor e descosaquização – A verdade que não lhe contaram

A Cultura da Superficialidade

Marco Túlio Cícero (1) * Filósofo Político Conservador e Retórica

Hermes Trismegistus (1) * Filosofia, Alquimia e o Corpus Hermeticum

Pedro Valdo (1) * Pedro Valdo e os Pobres de Lyon precursores da Reforma

São João da Cruz (1) * Entenda os Poemas e a Mística do Nada

Johann Georg Hamann (1) * Romantismo Alemão e a Crítica ao Iluminismo

Claude-Adrien Helvétius (1) * A Revolução Intelectual do Iluminismo Francês

Mário Ferreira dos Santos (2) * Ideias Centrais em Invasão Vertical dos Bárbaros

Eric Voegelin (1) * As Religiões Políticas

Mário Ferreira dos Santos (1) * Vida e Obra do Filósofo Brasileiro

Escolástica Protestante (1) * Impactos nos Séculos XVI a XX

Deleuze e Guattari (20) * Deleuze e Guattari simples e fácil

Michel Foucault (8) * Foucault simples e fácil

Marx e Engels (2) * Comunismo: fundamentos, princípios e impactos históricos

Marx (1) * Análise detalhada da vida de Karl Marx

Engels (1) * Engels e a Crítica ao Capitalismo

Antonio Gramsci (1) * Filosofia política de Gramsci explicada

Bakunin (1) * Ideias e Contribuições para o Anarquismo

Che Guevara (1) * O Mito e a Realidade: Che Guevara na Revolução Cubana

Mao Tsé Tung (1) * Ideologias e Revoluções

Trotsky (1) * Vida e Ideais do Revolucionário Russo

Stalin (1) * História, repressão e industrialização soviética

Lenin (1) * História, Obras e Impacto na Política Mundial

Immanuel Kant (15) * Kant simples e fácil

Deleuze e Guattari (19) * Capitalismo mundial integrado

Deleuze e Guattari (18) * Produção de subjetividade

Deleuze e Guattari (17) * Singularidade: Entendendo em profundidade o conceito

Deleuze e Guattari (16) * Territorialização e Desterritorialização

Deleuze e Guattari (15) * Caosmose: Entenda Esse Conceito Revolucionário

Deleuze e Guattari (15) * Caosmose: Entenda Esse Conceito Revolucionário

Deleuze e Guattari (14) * Explorando a Transversalidade na Filosofia: Relevância e Significado

Deleuze e Guattari (13) * Filosofia do “Ritornelo”: Entenda Agora

Deleuze e Guattari (12) * Esquizoanálise – Tudo sobre a Esquizoanálise na filosofia e na psicanálise

Deleuze e Guattari (11) * Ecosofia – Tudo sobre Ecosofia

Deleuze e Guattari (10) * O cinema em Deleuze

Deleuze e Guattari (9) Corpos sem Órgãos

Deleuze e Guattari (8) * Rizoma: Desvendando e explorando o conceito

Deleuze e Guattari (7) * Tudo sobre atual e virtual na filosofia destes autores

Deleuze e Guattari (6) * O desejo

Deleuze e Guattari (5) * Diferença e repetição

Deleuze e Guattari (4) * Qual a diferença entre filosofia, arte e ciência?

Deleuze e Guattari (3) * O que é a filosofia em Deleuze e Guattari?

Deleuze e Guattari (2) * A vida e as obras de Félix Guattari

Você é livre? – Liberdade versus censura – PL2630 – Elon Musk X Alexandre de Moraes

O que a filosofia tem a dizer sobre a liberdade e a censura. Uma discussão crítica sobre a vocação do Brasil para a liberdade, a tolerância e a aceitação das diferenças. Elon Musk e o debate com o ministro do STF Alexandre de Moraes trouxe novamente a tona o PL2630 e todo um movimento político para a discussão e aprovação de uma legislação visando censurar a Internet, as redes sociais e a IA – Inteligência Artificial, sobre o pretexto de criar uma regulamentação que proteja o usuário das assim chamadas fake news, ou seja, notícias falsas, mentiras. O vídeo defende a liberdade de expressão e se mostra contrário a censura disfarçada de regulamentação presente em qualquer lei ou projeto sobre as redes sociais e afins.

Deleuze e Guattari (1) * A vida e as obras de Gilles Deleuze

Gilles Deleuze (1925-1995), nasce e falece na cidade de Paris. Cursou filosofia na universidade de Paris (Sorbonne) e, posteriormente atuou como professor de filosofia, além de escritor. Foi casado com Fanny Deleuze, com quem teve dois filhos. Sua filosofia apresenta múltiplas faces, justamente ao abordar diferentes pensadores clássicos e desenvolver o pensamento destes em sua obra. Em 1968 conhece Félix Guattari, cuja influência e colaboração seria marcante em sua obra, em particular no tocante aos campos da política, psiquiatria e psicanálise. A influência de Deleuze ultrapassa o campo da filosofia, ampliando-se para outros campos do saber e práticas humanas, tais como a literatura, o cinema e os estudos culturais. Algumas de suas ideias se destacam pela influência que exerceram na filosofia contemporânea, tais como: multiplicidade, diferença e produção de conceitos. Félix Guattari (1930-1992) foi escritor, roteirista, filósofo e ativista revolucionário francês a favor da esquerda comunista. Estudou filosofia na Sorbonne, em Paris, vindo a diplomar-se no ano de 1953. Interessou-se pela Psicanálise e pela Psiquiatria, tendo a partir de 1955 trabalhado no hospital psiquiátrico de La Borde, sob a direção de Jean Oury. Neste hospital Guattari atuou como pioneiro na implementação de práticas terapêuticas consideradas inovadoras, com base na psicanálise e na psicoterapia institucional. Conhecido particularmente por sua colaboração e coautoria em algumas obras, com o filósofo Gilles Deleuze, quem conheceu no ano de 1968. Conjuntamente com Deleuze, publicou “O anti-Édipo”, em 1972, e “Mil Platôs”, em 1980. Nestes trabalhos e parceria, desenvolveu o conceito de “esquizoanálse”, além de estudar questões vinculadas ao desejo, à sociedade e ao poder. Considerado por alguns comentadores como representante do pós-estruturalismo. Dentre os conceitos e ideias desenvolvidos por Guattari, temos: transversalidade, ecosofia, caosmose, desterritorialização, ritornelo, singularidade, produção de subjetividade e capitalismo mundial integrado. Em sua obra, discutiu temas, tais como: a transdisciplinaridade, o desejo, as instituições. Também defendeu a antipsiquiatria e combateu noções e conceitos básicos da psicanálise. Guattari se posiciona de modo crítico ao poder presente na sociedade. Buscou desenvolver uma abordagem transdisciplinar em sua obra. Em “As três ecologias”, de 1989, ampliou o campo de sua análise visando incluir a esfera social, psicológica e ecológica. Seu pensamento filosófico perpassa diversas áreas do saber humano, tais como: psicanálise, filosofia, psiquiatria, política e ecologia. Também atuou como militante político, na busca por transformações sociais, pautadas em uma ideologia revolucionária de esquerda política pró comunismo e identitária.

Michel Foucault (7) * A heterotopia em Foucault

Michel Foucault (6) * O “dispositivo” em Foucault

Michel Foucault (5) * Biopoder e Biopolítica em Foucault

Michel Foucault (4) * O panóptico em Foucault – Panoptismo

Michel Foucault (3) * A microfísica do poder em Foucault

Michel Foucault (2) * Sociedade disciplinar em Foucault

Michel Foucault (1) * Vida e obras de Foucault

Paul-Michel Foucault (1926-1984) atuou como militante político em prol de campanhas contra o racismo, pela reforma do sistema penitenciário e também marcou presença e apoio nos movimentos estudantis de maio de 1968. Atuou como diplomata, historiador, filósofo, psicólogo, professor universitário e escritor. Também atuou como militante de causas da esquerda política. Alguns comentadores o consideram um pós-moderno ou um Estruturalista, rótulos não necessariamente aceitos por Foucault. Sofreu influência de Nietzsche, Marx, Freud, Deleuze, dentre outros. Há comentadores que dividem sua produção em três momentos distintos. O primeiro período de sua produção seria o arqueológico, o segundo período seria o genealógico e o terceiro período seria o do último Foucault. Em cada período o pensador teria estudado ideias e questões distintas. No período arqueológico, Foucault estuda as estruturas presentes nas ciências humanas, priorizando a história e as ciências sociais, recaindo seu foco sobre a filosofia, a linguística e a literatura. Deste período temos duas de suas obras: “As palavras e as coisas” e “Arqueologia do saber”. No período genealógico temos a questão vinculada às formas de poder e subjetivação na sociedade. Foucault se atém ao estudo do que chamou de “sociedade disciplinar”, por meio de reconstrução histórica e cultural. Aqui entra a discussão sobre as formas de exercício do poder, que podem se dar na macrofísica e na microfísica. Na microfísica o poder passa a ser exercido pela sociedade como um todo, estamos diante da sociedade disciplinar, uma rede de pequenos poderes exercidos em pequenos núcleos sociais (escola, igreja, quartel, fábrica, cadeia, hospital e outras instituições disciplinares). Neste período temos as obras: “A verdade e as formas jurídicas”, “Vigiar e punir” e o volume 1 de “História da sexualidade” (“Vontade de saber”). No dito período do último Foucault, temos um retorno aos gregos antigos no tocante à forma como estes encaravam a sexualidade e o prazer. Temos também o desenvolvimento de uma abordagem ética, bem como, leitura e influência da obra de Nietzsche. São desta época as obras: “Cuidado de si, alguns artigos acadêmicos e os dois volumes finais de “História da sexualidade”. Foucault estudou os problemas sociais de sua época, focando no sistema penitenciário, na instituição escolar, nos hospitais, na medicina e psiquiatria, bem como, no modo como a sociedade historicamente tratou a sexualidade humana.

Immanuel Kant (14) * Filosofia da história

Immanuel Kant (13) * Filosofia política

Immanuel Kant (12) * Deus e a moralidade

Immanuel Kant (11) * Entre razão e fé – A religião nos limites da simples razão

Immanuel Kant (10) * Os tipos de juízo na Crítica da Faculdade do Juízo, de Kant

Immanuel Kant (9) * O Imperativo Categórico, presente na Crítica da Razão Prática

Immanuel Kant (8) * Postulados da Crítica da Razão Prática: Liberdade, imortalidade da alma, Deus

Immanuel Kant (7) * As antinomias da razão pura

Immanuel Kant (6) * As 12 categorias do entendimento

Immanuel Kant (5) * O Sujeito Transcendental

Immanuel Kant (4) * Juízos analíticos e sintéticos. A priori e a posteriori

Immanuel Kant (3) * Formas a priori da sensibilidade Formas a priori da intuição pura Tempo e Espaço

Immanuel Kant (1) * Vida e obras

Immanuel Kant (1724-1804), nasce na cidade de Königsberg, onde viveu e trabalhou por toda sua vida, vindo também nesta cidade a falecer e nela ser sepultado em sua catedral. Proveniente de uma família protestante, filho de Johann Georg Kant e Anna Regina Reuter, foi o quarto de nove filhos. Kant nunca se casou e também não teve filhos. Representante do Iluminismo na Alemanha, desenvolveu trabalhos na área da epistemologia, ciência, ética, estética, história, geografia, direito, política internacional, dentre outros temas. Sua filosofia é corretamente chamada por Idealismo Transcendental e teve também o mérito de influenciar o surgimento do Idealismo Alemão. O Idealismo Transcendental de Kant é a designação aplicada à epistemologia deste filósofo, na qual só somos capazes de ter acesso aos fenômenos e não a coisa em si ou númeno (noumeno). Ao conhecer algo, alteramos este algo de acordo com nossa capacidade perceptiva, não conhecemos a coisa em si mesma, e sim como representações subjetivas universais. Nosso conhecimento provém dos sentidos somados às categorias do entendimento. Em Kant, podemos encontrar o desenvolvimento do questionamento em torno de três perguntas básicas, que são desenvolvidas e formuladas no decorrer de sua obra. Podendo, de modo simplificado, serem assim apresentadas: 1- O que posso saber? 2- O que devo fazer? 3a- O que me é permitido esperar? 3b- Quais coisas me é permitido esperar? Tais perguntas são analisadas e discutidas no decorrer das obras deste filósofo, em particular as suas três críticas, que seguem a ordem das perguntas formuladas, assim, temos que na “Crítica da razão pura” busca-se responder “o que posso saber?”, na “Crítica da razão prática” busca-se responder “O que devo fazer?”, e na “Crítica da faculdade do juízo” busca-se responder “Quais coisas me é permitido esperar?”. Na primeira crítica e em resposta a primeira pergunta, se trabalha o juízo hipotético presente nas ciências e a obrigatoriedade de uma experiência possível para confirmar a veracidade do mesmo. Temos um total determinismo e necessidade, vinculado aos fenômenos. Na segunda crítica e em resposta a segunda pergunta, temos o juízo categórico, presente na ética. Aqui busca-se a universalidade e necessidade para as determinações da razão sobre o comportamento ético a ser adotado. Na terceira crítica temos a resposta a terceira pergunta, onde se faz presente a teleologia apontando, claro está, para uma dada finalidade. Tudo aqui se passa “como se”, na busca da universalidade do juízo do belo e do sublime. Kant apresenta uma crítica ao Racionalismo e também ao Empirismo. No tocante ao Racionalismo, entende que não é possível o conhecimento além dos limites da experiência possível. No tocante ao Empirismo, Kant defende que a experiência é moldada por estruturas a priori da mente. Segundo Kant, todo conhecimento começa com a experiência, mas nem todo procede da experiência. A origem de nosso conhecimento encontra-se na experiência, mas esta não pode outorgar validade, universalidade e necessidade ao mesmo. Torna-se, segundo Kant, imperioso saber como é possível encontrar o fundamento da possibilidade de toda experiência.

Introdução ao Anti-Iluminismo

Anti-Iluminismo ou contra-Iluminismo se apresenta como uma corrente de pensamento que se opõe aos valores e teses defendidos pelo Iluminismo (ou Ilustração) no transcorrer do século XVIII (conhecido como o século das luzes). O Anti-Iluminismo defende ideias conservadoras, a religiosidade, a hierarquia. O termo foi popularizado para descrever estes pensadores no século XX pelo filósofo Isaiah Berlim (1909-1997). Trata-se de uma visão mais crítica quanto aos limites da razão humana e que tende a valorizar os sentimentos e emoções. Também encontramos a valorização do nacionalismo. Em suma, temos aqui um movimento que se mostra em linhas gerais como sendo relativista, anti-racionalista, vitalista e também possuindo uma visão orgânica da vida social e política, características estas que também estarão presentes no Romantismo. Para os filósofos do anti-Iluminismo, uma sociedade representa um corpo orgânico, um organismo vivo e não apenas um conjunto de cidadãos reunidos em dado local. Os pensadores representantes do movimento anti-Iluminista defendem a importância da história, da cultura, da língua e da religião de um povo, tornando-o único. Os anti-Iluministas tendiam a valorizar a tradição e também a autoridade, entendendo serem as mesmas, fonte de conhecimento e estabilidade social. A história e a cultura de um povo guardam valores importantes que devem ser preservados. Já os Iluministas defendiam uma ruptura mais radical com o passado e a tradição, na busca pelo progresso incentivado pela razão.

Introdução ao Romantismo

O Romantismo também é fruto de seu tempo histórico. Os séculos XVIII e XIX foram palco de profundas mudanças sociais, políticas e culturais ocasionadas por acontecimentos marcantes. Tivemos a Revolução Industrial, a Revolução Americana, a Revolução Francesa, a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, dentre outros eventos. O Romantismo foi um movimento cultural, artístico e literário Europeu que se espalhou por todo o mundo (em sua origem alemã, veja o movimento literário e Romântico “Sturm und Drang” (tempestade e violência), entre 1760 e 1780), que busca a criatividade e a liberdade do espírito ou consciência. O Romantismo tem início no final do século XVIII e prossegue até o final da primeira metade do século XIX, quando é substituído pelo Realismo. Sua origem alemã é defendida por comentadores que entendem que três obras são em si responsáveis por iniciar este movimento, a saber: 1- “O pólen”, 1798, de Novalis; 2- “Fragmentos” (publicados em partes entre 1798 e 1800, na revista Athenaeum), de Friedrich Schlegel; 3- “Baladas líricas”, publicado em 1798, de Words e Coleridge. Por sua vez, o termo “Romantisch” ressurge (pois o termo “Romântico” já havia sido usado anteriormente para designar um tipo de literatura popular e medieval) dentro deste contexto a partir de discussões literárias na Alemanha. Há comentadores que consideram Goethe como sendo o autor da primeira obra literária romântica, no caso, o romance “Os sofrimentos do jovem Werther” (“Die Leiden des jungen Werthers”), 1774. De qualquer modo, fica nítida a preferência em comentadores por uma origem alemã para este movimento. Dentre seus principais representantes, temos Schlegel, Goethe, Herder, Schiller, Novalis (Friedrich von Hardenberg), Hölderlin e também os filósofos incluídos dentro do movimento intitulado Idealismo Alemão (Fichte, Schelling, Schleiermacher e Hegel), pois todos sofreram influência e também influenciaram o Romantismo. A diferença se encontra mais na forma de trabalhar os temas abordados, seja de um modo mais racional e filosófico por parte do Idealismo Alemão, ou mais para a arte, literatura, poesia, por parte do Romantismo. O Romantismo apresenta por parte de seus integrantes uma atitude e uma visão do mundo, ambas centradas no indivíduo. Deste modo, o Romantismo há de se diferenciar e contrapor a outro grande movimento, o Iluminismo, pois, este busca a objetividade e prioriza a razão, já o Romantismo busca a subjetividade e prioriza as emoções e sentimentos. Algumas características presentes nas obras artísticas presentes no movimento do Romantismo, são: se opor ao modelo anterior e clássico da arte; adotar na escrita o texto longo, em prosa; focar no sujeito e sua individualidade; ter uma preocupação com o desenvolvimento histórico; exaltar o nacionalismo; dar destaque a natureza; valorizar os sentimentos e emoções, o subjetivismo; trabalhar o mito do personagem “herói”, idealizar a sociedade, o amor e a mulher; manter uma nostalgia para com a infância passada; o humano se apresenta ocupando um lugar no centro do universo, temos uma forma de egocentrismo. Dentre as principais características presentes neste movimento temos um foco ampliado na fantasia, no sentimento, na paixão, na imaginação. Também o nacionalismo, a religiosidade e a idealização da mulher, bem como, uma fuga da realidade.

Introdução ao Idealismo Alemão

O termo “idealismo” foi aplicado em filosofia a diversos autores. Para alguns o idealismo começa com Platão com o mundo das ideias e prossegue. Para outros, cabe a Agostinho de Hipo ser considerado o primeiro idealista moderno, cuja obra teria influenciado muitos outros filósofos na Idade Moderna. Mas há quem defenda o idealismo ali presente em Descartes, Malebranche e outros autores do Racionalismo continental, em oposição ao Empirismo britânico, com exceção, claro está, do filósofo empirista britânico Berkeley, para quem não seria possível negar o idealismo. Em Kant temos uma forma de idealismo, mas este mantém a coisa em si, o númeno, que faz que ele possa ser entendido como um realista moderado, daí o seu Idealismo Transcendental ser diferente em essência do Idealismo Alemão que mais tarde veremos em autores que irão considerar o númeno algo supérfluo e inútil e o retiraram de suas filosofias, como tal é o caso de Fichte, Schelling, Schleiermacher e Hegel, dos quais iremos tratar aqui. Estes, e outros autores, se afastam do Idealismo Transcendental de Kant, dentre outros motivos, temos que Kant é um filósofo mergulhado na cultura proveniente do Iluminismo, enquanto estes outros filósofos já pertencem a um novo movimento, o Romantismo. O Idealismo Alemão há de se caracterizar por buscar desenvolver uma filosofia onde temos a total identidade entre o sujeito e o objeto, pela valorização da consciência e também da natureza, por uma tentativa de superar o dualismo. O conceito de Geist (em alemão), pode ser traduzido por consciência, mente ou Espírito, e é fundamental na filosofia do Idealismo Alemão em sua busca por um monismo. Muito importante é a ideia de “absoluto” e como tal ideia se desenvolve nos diversos pensadores que compõem o movimento.

Hegel (10) * A lógica de Hegel de um modo simples e fácil

Hegel (9) * Lógica

Hegel (8) * A consciência infeliz

Hegel (7) * O Ser

Hegel (6) * Ética e Moral

Hegel (5) * O Espírito

Hegel (4) * Dialética do Mestre e do Escravo – Dialética do Senhor e do Servo

Hegel (3) * A Dialética

Hegel (2) * O Estado

Hegel (1) * Vida e Obras

Georg Wilhelm Friedrich Hegel (1770-1831) nasceu na hoje Alemanha, e faleceu por motivo de cólera na cidade de Berlim, Confederação Germânica, hoje também Alemanha. Hegel é proveniente de uma família religiosa protestante. Estudou teologia e filosofia na Universidade de Tübingen, onde teve como colegas Schelling e Hölderlin, e, posteriormente, atuou como professor universitário. No desenvolvimento de seu pensamento foi inicialmente influenciado por Kant, Fichte e Schelling, se bem que encontramos influências outras, tais como Heráclito, Aristóteles e Spinoza, só para citar algumas. E, claro, a influência dos movimentos conhecidos por Romantismo e Idealismo Alemão, dos quais Hegel sofreu influência e, por sua vez, também influenciou, sendo considerado um dos representantes do “Idealismo Alemão”, mas a elaboração de seu sistema filosófico apresenta diferenças consideráveis em relação a obra de Fichte e Schelling, seus contemporâneos. Há comentadores que dividem sua obra em duas partes, a primeira com seus escritos iniciais e geralmente mencionada como “o jovem Hegel” e a segunda com seus escritos posteriores, conhecida por “Hegel de maturidade” ou por “velho Hegel” ou por “Hegel sistemático”. Considera-se o ano de 1807 como o divisor entre os dois períodos, com a publicação do livro “Fenomenologia do Espírito”, considerada por muitos comentadores como a sua principal obra. Sua filosofia busca alcançar a totalidade por meio da dialética, superando divisões e cisões presentes entre por um lado o “sujeito” e por outro o “mundo ao seu redor”, ou, segundo outros comentadores, “sujeito” e “realidade externa”. O sistema filosófico desenvolvido por Hegel é denominado, por alguns comentadores, de “Idealismo Absoluto”, enfatizando que para este filósofo a realidade passa a ser compreendida como manifestação do Espírito Absoluto, outros há que a denominem de “Filosofia do Espírito”, em virtude da enorme ênfase dada ao desenvolvimento do Espírito no transcurso da história da humanidade em busca da autoconsciência e liberdade.

Schleiermacher (5) * Filosofia da Linguagem

Schleiermacher (4) * Ética e Moral

Schleiermacher (3) * A religião e o sentimento religioso

Schleiermacher (2) * A hermenêutica – Como traduzir corretamente um texto ou discurso

Schleiermacher (1) * Vida e Obras

Friedrich Daniel Ernst Schleiermacher (1768-1834) nasce na cidade de Breslau e falece em Berlin. Seu pai era pastor protestante, tendo Schleiermacher vivido sua infância em um ambiente familiar religioso. Schleiermacher é teólogo, filósofo, professor e escritor. Exerceu influência significativa no desenvolvimento subsequente da filosofia e da teologia, em particular no decorrer do século XIX. Sua obra teve presença marcante e influenciou a teologia alemã. Também traduziu alguns diálogos presentes nas obras de Platão e partes do Novo Testamento para o alemão, em particular, demonstrou um maior interesse pelo Evangelho de São João. Também exerceu um papel significativo, apresentando contribuições para o desenvolvimento da ética, da hermenêutica, da filosofia da religião e da filosofia da linguagem. Sua obra influenciou pensadores posteriores, tais como, dentre outros, Dilthey, Søren Kierkegaard e Rudolf Otto. Também contribuiu para o desenvolvimento da hermenêutica, entendida como a correta interpretação e compreensão de textos, dentro do contexto da linguagem e dos aspectos psicológicos presentes no autor. Na ética argumentou que a moralidade se baseia na ligação entre a individualidade e a comunidade. Também esteve presente com desenvolvimentos na filosofia da linguagem, destacando que a linguagem é uma expressão da experiência subjetiva. Sofreu influência de Kant, Fichte, Schelling e Hegel. Alguns comentadores reportam ter ele estudado a obra de Spinoza e se dedicado ao estudo do misticismo. Sua obra teve forte e duradouro impacto na cultura filosófica e teológica alemã, continuando a exercer influência mesmo nos dias atuais, onde continua a ser estudado e debatido. Em sua vida sofreu influência e, por sua vez, também influenciou o Romantismo e o Idealismo Alemão, podendo ser considerado um integrante de ambos os movimentos. Contemporâneo do Romantismo Alemão, compartilha com este movimento das mesmas preocupações em relação à ênfase na experiência, à importância da intuição e da sensibilidade emocional, e à valorização da natureza humana. O Romantismo enfatizava a expressão emocional, a subjetividade e a valorização das experiências emocionais. Já com o Idealismo Alemão, apresenta fortes vínculos, em particular na elaboração de suas ideias sobre a relação entre religião, filosofia e experiência humana. Cabe destacar, no entanto, sua genialidade que o faz transcender a qualquer movimento específico, tornando-o um pensador com características únicas e distintas de outros românticos ou idealistas. Sua visão teológica influenciou o desenvolvimento teológico da religião cristã na Alemanha, sendo visto por alguns comentadores como sendo o pai fundador do assim chamado “liberalismo teológico protestante”, ou, “Teologia protestante liberal”, pela qual faz a defesa de uma abordagem mais racional e subjetiva da fé, buscando-se uma reconciliação entre religião e pensamento racional.

Schelling (6) * Ética e Moral

Schelling (5) * A Arte e a Estética

Schelling (4) * 3º Fase – Filosofia Positiva Negativa e Crítica a Hegel

Schelling (3) * 2º Fase – Fase da Identidade

Schelling (2) * 1º Fase – Fase de Transição – Fase da Filosofia da Natureza

Schelling (1) * Vida e obras

Friedrich Wilhelm Joseph Schelling (1775-1854), atuou como professor universitário em Jena e depois mudou-se para Munique, onde permaneceu por 35 anos de sua vida e ocupou o cargo de secretário geral da Academia das Artes Figurativas e também veio a ocupar, em 1827, o cargo de reitor da universidade de Munique. Após a morte de Hegel, o substituiu como professor na universidade de Berlim. Seu trabalho é inicialmente influenciado pelas primeiras obras de Fichte, bem como por Kant e, posteriormente, se desenvolve vindo a ter influência da concepção da natureza de Spinoza e pelas concepções filosóficas de Giordano Bruno. Como filósofo é considerado um representante do movimento do “Idealismo Alemão” e também sofre influência do “Romantismo”. As ideias presentes no Romantismo, a sua época, valorizavam a subjetividade, a natureza e a emoção. Há uma certa dificuldade por parte dos comentadores em classificar em qual movimento melhor pertenceria o pensamento de Schelling. Há várias fases na filosofia desenvolvida por Schelling e cada comentador há de preferir uma dada divisão, mas em linhas gerais e a par com alguns comentadores, podemos dividir nas seguintes três fases: 1- O contato com Fichte e Kant e a elaboração de uma filosofia da natureza, onde encontramos uma fase de transição (1794-1800); 2- a filosofia da identidade, ou Idealismo de identidade (1801-1809); 3- a filosofia positiva – negativa, e a crítica a obra de Hegel (1827-1854). Já outros comentadores hão de preferir dividir tematicamente em: 1- influência e debate filosófico com a obra de Kant e Fichte; 2- filosofia da natureza e a liberdade; 3- filosofia da história e mitologia; 4- filosofia da arte; 5- filosofia da revelação. Natureza, identidade, arte, história e mitologia, Revelação e Teologia Negativa, são temas abordados no decorrer da vida deste filósofo, de modo não isolado, mas sim entrelaçado, de forma que tais temáticas se relacionam entre si. No período em que lecionou em Berlim desenvolveu e apresentou suas ideias sobre religião e mitologia. Entendia que o cristianismo tem como essência a sua real natureza histórica presente na encarnação de Jesus Cristo, em sua vida e martírio. O valor da religião cristã encontra-se justamente nesta realidade histórica presente na vida real de Jesus Cristo, não sendo correto tentar reduzir o conteúdo da doutrina cristã somente aos preceitos morais nela presentes. Dentro da filosofia de Schelling a arte exerce um papel importante e especial na busca de compreensão do absoluto. A arte permite uma intuição direta do absoluto, representando uma união entre espírito e natureza. Na arte temos tanto uma atividade consciente, como também uma atividade inconsciente que ultrapassa a finitude material presente na obra de arte feita pelo artista, tornando-se deste modo uma expressão significativa da objetividade absoluta. Tal abordagem da arte feita por Schelling teve a virtude de influenciar a estética e a filosofia da arte. Esta abordagem da arte se encontra mais presente na segunda fase do pensamento deste autor.

Fichte (6) * O papel do sábio

Fichte (5) * Ética e moral

Fichte (4) * O Estado comercial fechado

Fichte (3) * O “Eu absoluto”, o “não Eu” e o “Eu finito” – Idealismo Alemão

Fichte (2) * Estrutura quíntupla da dialética – Idealismo Alemão

Fichte (1) * Vida e obras – Idealismo Alemão

Johann Gottlieb Fichte (1762-1814) estudou teologia e manteve em sua vida um interesse pela obra de Kant, bem como, por questões vinculadas ao aspecto religioso e moral. Atuou como professor universitário e foi também reitor da Universidade de Berlim. Sua obra foi fundamental para o desenvolvimento da filosofia moderna, abordando questões que vão desde a epistemologia e a ética até a política e a educação. Fichte é o primeiro dos grandes representantes do Idealismo Alemão, filósofo pós-kantiano que se baseou no estudo das obras de Kant, bem como, em ter conhecido pessoalmente Kant, o que já não ocorreu com os demais membros deste movimento, pois, estes outros começaram seus estudos a partir da obra de Fichte e não de Kant. Não somente Fichte, mas os demais membros do Idealismo Alemão viveram na primeira metade do século XIX na Alemanha, quando imperava um outro movimento de grande abrangência, o Romantismo, de cujas bandeiras e reivindicações todos estes filósofos compartilham em alguma medida. Uma característica que Fichte possui conjuntamente com os demais membros do Idealismo Alemão é ter como ideia central que a realidade fundamental é de natureza mental ou espiritual, o que vem a contrastar com o materialismo. Para Fichte, o fundamento de nossa realidade se encontra na consciência individual.

Politicamente correto

O termo “politicamente correto” encontra-se no centro de um debate entre de um lado conservadores e de outro progressistas. Ocorre um verdadeiro embate político entre direita e esquerda ao redor do “politicamente correto”. O termo pode ser usado para defender comportamentos e bandeiras da esquerda política, buscando uma mudança e transformação social entendida como progresso e evolução, ou, pode ser usado pela direita política para fazer referência a políticas e atitudes consideradas excessivas, desnecessárias e infantis para tratar com as pessoas em sociedade, estando vinculado ao comportamento de auto vitimização. Há quem trace paralelos com o livro “1984” de George Orwell, no qual a língua adotada oficialmente retira palavras de circulação e modifica o significado de outras. Também se tornou comum por parte de críticos de chamar a este movimento por “ditadura do politicamente correto”. As bandeiras de defesa do “politicamente correto” acabam gerando pessoas que se ofendem muito facilmente com o que os outros dizem ou fazem, praticamente se ofendem com quase tudo. Há quem defenda que o “politicamente correto” traga maior tolerância, mas o que ocorre é justamente o oposto, uma total criação de intolerância, exigindo que as demais pessoas se sujeitem a um molde pré-definido socialmente sobre o que seja o certo e o errado para se fazer ou dizer, sob pena de ser mortalmente “cancelado”. O politicamente correto atua como uma forma de controle social sobre o que as pessoas podem dizer ou fazer. Quando alguém defensor do politicamente correto é questionado por alguém de direita, pode argumentar que tal coisa não existe, que não existe o “politicamente correto”, somente existe educação por parte das pessoas com o trato com outras pessoas, em particular, grupos minoritários. A estratégia de negação também pode incluir denegrir o adversário, chamando-o de fascista, nazista, extrema direita ou questionando sua cultura ou poder social, ou seja, negar, mudar o significado, denegrir a pessoa ou grupo que aponta para a manipulação presente no uso do “politicamente correto”.

A esquerda política é uma religião sem Deus, uma versão moderna do Gnosticismo

A Esquerda política, em sua base marxista-leninista, ou mesmo com seus desenvolvimentos subsequentes, como a Escola de Frankfurt e outros movimentos que deram continuidade e desenvolvimento a este pensamento político, apresenta analogias e semelhanças com uma religião messiânica, ou mais especificamente com o Gnosticismo, que no século II d.C. foi considerado uma heresia cristã, entendimento este que se manteve até o final do século XVIII, só começando a mudar a partir do século XIX, quando os estudiosos passaram a entender o Gnosticismo como uma religião, e bem mais antiga que o cristianismo. A esquerda política, o marxismo-leninismo, o socialismo e comunismo, podem ser entendidos como faces de um mesmo movimento, uma religião messiânica, uma religião sem deus, que foi assim criticada e condenada por vários papas católicos, por ser contrária e incompatível com a doutrina religiosa cristã. Com relação ao comunismo, o papa Pio IX, em 1846, na encíclica “Qui pluribus”, já o condenava. Também o papa Leão XIII, em 1878, na encíclica “Quod Apostolici muneris”, e o papa Pio XI, em 1931, na encíclica “Quadragesimo anno”, e em 1937, na encíclica “Divini Redemptoris”. O papa João Paulo II também exerceu fortes críticas ao comunismo e aos regimes comunistas durante o seu papado. Podemos ser levados ao engano ao acreditar que política e religião são dois mundos distintos, na verdade não é bem assim. Ao estudarmos o assunto fica evidente uma ponte entre este movimento político e o fenômeno da religiosidade. Em suas origens, a esquerda política se mostra culturalmente como algo de religioso. Sua origem se pauta nas antigas heresias cristãs, que, aliás, faz com que a mesma se oponha frontalmente às Igrejas cristãs, suas rivais religiosas na busca por novos fiéis. O comportamento do militante de esquerda, bem como a estrutura das organizações políticas que tem a esquerda como base, em particular a leitura das obras de Marx, podem encontrar uma origem em algo bem mais antigo, em algo já tido como uma heresia cristã, mas que hoje em dia entendemos que foi, na verdade, uma religião independente. Penso que há fortes semelhanças entre a esquerda política e o Gnosticismo e, por meio de tal, podemos buscar as origens religiosas presentes na esquerda política, seja na sua estrutura ou na mentalidade de seus militantes.

Lyle H. Rossiter (1) * A Esquerda é uma doença mental: The liberal mind

O livro “The liberal mind: The psychological causes of political madness” possui uma tradução para a língua portuguesa com o título “A mente esquerdista: As causas psicológicas da loucura política”. Lyle Herschel Rossiter, médico psiquiatra norte americano. Segundo o autor, os militantes da esquerda progressista possuem algum transtorno ou doença mental, daí o sub-título “madness”, apontando para a “loucura” presente em tal comportamento político. Segundo o autor, certas características psicológicas podem influenciar as preferências políticas das pessoas. Certos traços de personalidade e tendências psicológicas podem influenciar a forma como as pessoas percebem o mundo e tomam decisões políticas. Rossiter parte da premissa de que as preferências políticas podem ser influenciadas por fatores psicológicos. Ele argumenta que nossas percepções e decisões políticas podem ser moldadas por nossa personalidade, emoções e necessidades psicológicas. Ele utiliza essa abordagem para explorar por que as pessoas são atraídas por posições políticas específicas. O livro explora as bases psicológicas e teorias sobre o pensamento político da esquerda progressista e argumenta que certas características psicológicas podem influenciar as preferências políticas das pessoas. O livro tem como temática central buscar analisar as reais motivações psicológicas presentes no comportamento e pensamento político adotado pelas pessoas e movimentos de esquerda.

Marxismo cultural: A doutrinação da esquerda política

O termo “marxismo cultural” é defendido em geral por integrantes da direita política, não somente no Brasil, mas também no restante do mundo, tendo surgido inicialmente nos EUA há algumas décadas atrás. O termo “marxismo cultural” foi amplamente usado dentro de um contexto político e intelectual por vários autores, dentro e fora do meio acadêmico, dentre os quais cabe mencionar: William Stannard Lind (1947- ); Allan David Bloom (1930-1992); Paul Michael Weyrich (1942-2008); e no Brasil por Olavo Luiz Pimentel de Carvalho (1947-2022). A intenção é fazer referência com este termo, a uma suposta influência na cultura, na educação (escolas e universidades), na mídia e na sociedade como um todo, de ideias provindas do contexto ideológico de esquerda. Entende-se por tal conceito, que ocorreu uma releitura dos trabalhos iniciais da Escola de Frankfurt, aplicando suas conclusões na arte e na cultura de modo a expandir ideias hoje defendidas pela esquerda política, tornando-as temas comuns e normais dentro da cultura ocidental e, deste modo, minando os valores capitalistas e cristãos presentes nos países ocidentais. Além da Escola de Frankfurt, as origens do “marxismo cultural” se reportam a Antonio Gramsci (1891-1937) e György Lukács (1885-1971), pensadores estes, cujas ideias também passaram por uma releitura e aplicação com fins políticos associados a nova esquerda identitária. Alguns setores religiosos cristãos no Brasil acreditam estar travando uma luta contra uma ideologia que deseja destruir os valores tradicionais cristãos, minar a família, corromper moralmente a juventude e desvirtuar o caráter das crianças, despertando precocemente a sexualidade e a direcionando ideologicamente. A estes religiosos se unem políticos conservadores e todos proclamam um inimigo comum: o “marxismo cultural”. O que temos hoje, segundo um núcleo crítico de autores provindos da direita política, é que o marxismo cultural se faz presente em diversas instâncias da sociedade, nas mídias tradicionais, nas ONGs, nas escolas e faculdades influenciando na formação das crianças, adolescentes e adultos jovens, bem como na direção de sindicatos e partidos políticos, ou mesmo, na produção artística e cultural. Pelo conceito de “marxismo cultural” se faz referência a uma verdadeira guerra cultural, político-ideológica, na qual não estamos no terreno da economia política tal como proposto inicialmente por Marx, ou seja, na infraestrutura composta pelas relações de produção, a luta se desenvolve de modo mais difuso, no terreno cultural e artístico, no meio gerador e propagador de ideias sociais.

Distorção do sentido das palavras pela esquerda política: A manipulação invisível da linguagem

Notamos que a esquerda política em nosso país, Brasil, bem como no restante do mundo, tem feito um uso instrumental da linguagem, de modo semelhante a outros governos não democráticos, sejam ditaduras ou semi-ditaduras, sejam governos totalitários de esquerda ou mesmo governos fascistas e nazistas presentes na primeira metade do século XX. Iremos discutir aqui sobre este uso político da linguagem nos seus aspectos gramaticais, tanto sintáticos como também semânticos, em busca do real significado presente neste uso instrumental político da linguagem. Grupos políticos podem usar discursos que obedecem às regras da sintaxe corretamente, mas manipulam a semântica para alcançar seus objetivos políticos e angariar benefícios próprios. Isso é conhecido como manipulação retórica e pode envolver várias estratégias para moldar a percepção pública. Alguns exemplos incluem: eufemismos e disfarces; inversão de significado; falácias e manipulações lógicas; apelo às emoções; falsas promessas e hipérboles; desvio de atenção; redefinição de termos. Podemos vislumbrar aqui um uso estratégico da linguagem objetivando resultados políticos por grupos ocupando o poder ou desejando vir a ocupa-lo. Quando pensamos nestas mudanças de terminologia, dentro deste fenômeno temos um tipo de mudança linguística que pode ser entendida como uma forma de manipulação simbólica, nos quais os termos são usados e alterados para influenciar a percepção pública e moldar a narrativa em torno de questões políticas e sociais. A retórica política pode influenciar a percepção das pessoas sobre determinados problemas sociais e também como a linguagem pode ser usada para moldar a narrativa política. Ao mudar o significado, o sentido ou mesmo a terminologia empregada para descrever algo, pode-se ter como objetivo suavizar a imagem deste algo para a sociedade, tornando-a mais aceitável diante do povo. Podemos ter aqui presente a eufemização e a desumanização de uma dada situação, ao minimizar os desafios ali presentes, bem como, as dificuldades enfrentadas por esta população. A alteração de termos pode ser usada para construir uma narrativa política específica, destacando certos aspectos históricos ou culturais, para justificar uma agenda política. Isso pode servir para mobilizar apoio ou desviar a atenção de problemas subjacentes. Ao focar na mudança de linguagem em vez de abordar as questões reais subjacentes, os governos ou grupos políticos podem evitar a responsabilidade de implementar soluções efetivas e, deste modo, buscar mascarar a realidade. Pelo uso instrumental da linguagem é possível manipular e influenciar a opinião pública, redefinir conceitos, justificar ações. O uso manipulatório da linguagem, por meio de um adequado posicionamento da sintaxe e da semântica, pode permitir moldar uma narrativa favorável as ideias que o grupo pretende vender para as massas populacionais. Vários governos no decorrer da história fizeram uso da reinterpretação de termos e conceitos visando influenciar a opinião pública a seu favor. Deste modo, podemos ter a criação de verdadeiros paradoxos linguísticos, nos quais as palavras empregadas contradizem a sua definição original dentro da sintaxe gramaticalmente prevista. Trata-se de uma eficaz tática visando proporcionar a ilusão de uma aparente normalidade em situações nada normais e por vezes criar um ar de liberdade dentro de um total autoritarismo. O uso correto da linguagem pode ser uma arma altamente poderosa nas mãos de pessoas ou grupos, visando a manipulação e controle de outras pessoas, ou mesmo das massas populacionais. Por vezes, por trás de palavras e discursos aparentemente inocentes e positivos, se esconde toda uma estratégia muito bem elaborada visando permitir chegar e permanecer no poder.

Modelo do jogo da vida em sociedade (3) * O nomos, as regras, as leis, a linguagem, na sociedade

No “modelo” é enfatizado a noção de que todas as interações sociais podem ser interpretadas como se fossem jogos, onde os participantes são jogadores e possuem objetivos e empregam estratégias visando atingir estes objetivos. Nesta teoria é enfocada a dinâmica dos jogos e como os resultados obtidos são influenciados pelas estratégias adotadas pelos jogadores diante da onipresença no jogo da presença do “nomos”. Neste nosso modelo, a ênfase está nas normas e regras sociais, ou seja, o “nomos”. Nessa perspectiva, a sociedade é vista como um jogo onde as normas e regras estabelecem as diretrizes para a convivência e as interações entre os indivíduos. O jogo da vida é moldado por essas regras, e os jogadores buscam alcançar seus objetivos dentro dos limites estabelecidos pelas normas sociais. Assim, podemos considerar o “Modelo do Jogo da Vida em Sociedade” como uma abordagem que explora a interação complexa entre a linguagem, as normas sociais e os objetivos individuais e coletivos, proporcionando uma visão abrangente da dinâmica social e dos fatores que influenciam as escolhas e comportamentos dos jogadores dentro desse jogo e com foco específico no “nomos”, a lei, que rege o jogo em sociedade. Se um jogador percebe e consegue “ler” adequadamente as duas linguagens, a falada ou escrita por um lado, e a não falada e não escrita, mas demonstrada pelos atos falhos ou pela couraça reichiana por outro lado, terá vantagens no jogo da vida em sociedade. Ao ser capaz de identificar os conteúdos inconscientes que se manifestam em atos falhos ou na couraça reichiana, o jogador terá insights valiosos sobre os desejos, medos e conflitos que influenciam o comportamento dos outros jogadores. Essa habilidade de compreender e interpretar as diversas formas de linguagem pode proporcionar ao jogador uma compreensão mais profunda das motivações e intenções dos outros participantes do jogo. Essa capacidade de leitura mais ampla da linguagem permite que o jogador antecipe movimentos e intenções ocultas dos outros participantes, o que lhe confere uma vantagem estratégica. Ele pode usar esse conhecimento para ajustar suas próprias ações, tornando-se mais assertivo em suas decisões ou negociando com maior eficácia em suas interações sociais. Assim como um jogador de cartas experiente pode observar as emoções e comportamentos de seus adversários para antecipar movimentos e montar estratégias, os indivíduos que desenvolvem a capacidade de leitura das linguagens sociais podem ter vantagens na tomada de decisões e na interação com os outros participantes do jogo. Um bom jogador de certos jogos de cartas pode fazer uso desta leitura ao interpretar as emoções de seus adversários, prever o jogo e montar estratégias. Saber quando o adversário está mentindo, blefando ou arriscando.

Modelo do jogo da vida em sociedade (2) * Religião

Por meio deste modelo objetiva-se a compreensão das interações humanas como se fossem pessoas participando de um ou mais jogos. Como em todos os jogos, as interações humanas ocorrem em um ambiente onde há regras e normas, estratégias e objetivos. O papel da religião no sistema social é complexo e multifacetado, e sua relação com o conceito do “Modelo do Jogo da Vida em Sociedade” pode ser abordado de diferentes perspectivas. Se tudo na sociedade é um jogo, se todos os humanos são jogadores, se alguns irão ser perdedores e outros vencedores, se todas as atividades podem ser reduzidas a metáfora do jogo, então, as leis e normas existentes são, na verdade, as leis e normas do jogo. As leis e normas são mutáveis, pois, a sociedade pode escolher jogar de outra forma ou criar variações do jogo. Neste contexto, a religião e deus ou os deuses se apresenta com um papel interessante, pois, apesar de ser mais um elemento do jogo, se coloca de fora do mesmo, como representante de algo não imanente e sim transcendente ao jogo. A moral e o comportamento ético presente nos grandes sistemas de religião, como os de origem abraâmica (judaísmo, cristianismo, islamismo), não pode ser rompida por ser profundamente errado, e quebra de uma regra imodificável do jogo, exemplo: não matar por puro prazer ou por interesses egoístas a outro ser humano. A religião, portanto, bem como a existência de um deus e algo que seja transcendente ao tabuleiro social do jogo, tendem a exercer um significativo papel dentro deste modelo, no desenvolvimento do jogo, seja por parte da sociedade ou dos jogadores individuais. A religião oferece uma perspectiva transcendente que vai além do jogo da vida terrena. A crença em um ser supremo ou força divina pode proporcionar um sentido de propósito e significado para as experiências humanas, ajudando as pessoas a encontrar esperança e consolo diante dos desafios e incertezas. Podemos afirmar que as regras, normas e leis presentes no tabuleiro são projetadas e desenvolvidas pelos jogadores no decorrer do tempo histórico, mas há diferença de níveis entre estas mesmas regras, pois, algumas são consideradas transcendentes ao próprio jogo, sendo interpretadas como de cunho imutável. A religião e a existência de Deus têm sido aceitas por diversas culturas em distintas sociedades como transcendendo as normas elaboradas por esta mesma sociedade. Mesmo aqueles que querem se desfazer da ideia de uma religião ou um deus universal e transcendente, fazem hoje uso do conceito de “direitos humanos” como sendo algo universal e aplicável a toda e qualquer sociedade e tempo histórico. Diferentes sociedades e culturas têm normas e valores distintos, o que pode levar a percepções distintas do que é considerado aceitável ou moralmente correto em cada contexto. Até que ponto cabe a relativização completa dos valores e normas e a negação da existência de princípios éticos universais, ou não. Afinal, existem princípios éticos compartilhados por culturas diferentes. A existência de um contexto transcendente, pode ser um modo adequado para fundamentar a noção de “certo ou errado”, “verdadeiro ou falso”. Para algumas pessoas e grupos sociais, a crença em um ser supremo ou em um sistema ético baseado em princípios racionais pode fornecer uma base para suas convicções e comportamentos morais.

Modelo do jogo da vida em sociedade (1) * Estratégias para o Sucesso. Definições e conceitos.

O objetivo deste trabalho é propor um novo modelo para melhorar o entendimento das relações sociais, bem como proporcionar instrumentos para mudança e transformação social, podendo ser usado no interior das organizações, favorecendo o entendimento das ações em curso e da melhor forma de intervenção a ser adotada visando atingir determinados objetivos. Aqui pensamos em uma forma de “teoria do jogo social”, que possa ser entendida como um “esquema conceitual do jogo aplicado à sociedade”. Iremos chamar esta nova concepção de “Modelo do Jogo da Vida em Sociedade”. O “Modelo do Jogo da Vida em Sociedade” se apresenta como uma abordagem imaginativa para entender as interações sociais e os desafios que enfrentamos em nossa jornada pessoal, dentro do contexto de uma sociedade composta por regras, nem todas explícitas, mas todas funcionais. Em essência, esta abordagem aqui discutida propõe um modelo no qual a vida em sociedade é apresentada como um jogo de tabuleiro, ou cartas, com objetivos, estratégias, reflexões e interações sociais, todos regidos por leis. Penso na apresentação de um modelo sobre interação social, metas e objetivos pessoais e coletivos, destacando a natureza dinâmica e interconectada das relações humanas. Penso em um modelo que possa ser utilizado para referenciar uma nova perspectiva ou explicação sobre o tema tratado, com nuances e conotações específicas enfatizadas pela abordagem apresentada. No título dado, “Modelo do Jogo da Vida em Sociedade” busco passar de modo claro a ideia de a sociedade ser estruturada nos moldes de um jogo de tabuleiro ou cartas. Por “modelo”, entendo uma abordagem estruturada e conceitual que sirva para o adequado entendimento das dinâmicas sociais, metas e interações entre os indivíduos dentro do ambiente social. Por sua vez, ao empregar a palavra “sociedade”, faço referência a que este modelo trata das interações humanas em um contexto mais amplo, essencial para compreender a aplicação deste modelo a vida coletiva. Por meio deste modelo objetiva-se a compreensão das interações humanas como se fossem pessoas participando de um ou mais jogos. Como em todos os jogos, as interações humanas ocorrem em um ambiente onde há regras e normas, estratégias e objetivos.

Escola de Frankfurt (2) * Críticas da direita e da esquerda

A assim chamada “Escola de Frankfurt”, o “Instituto de Pesquisa Social”, por meio do pensamento desenvolvido por seus integrantes e do uso político e instrumental que mais tarde foi feito de tais ideias e conceitos, nos proporciona a oportunidade de uma crítica social e política que abranja as ideologias de direita e esquerda dentro de seus embates sociais atuais. Neste tocante entrariam vários autores provindos da direita conservadora e críticos das ideias marxistas, em particular nos EUA, que desde a década de 1990 tratam este tema dentro do que convencionaram chamar de “marxismo cultural”, associado, dentre outros, aos estudos desenvolvidos pelos integrantes da Escola de Frankfurt. Há diversas críticas provenientes da direita conservadora, mas há outras tantas críticas provenientes da esquerda tradicional, marxista-leninista, contra os argumentos defendidos e estudados pelos membros da assim chamada Escola de Frankfurt.

Agir comunicativo (1) * A Escola de Frankfurt

É no livro “Teoria da ação comunicativa”, de Jürgen Habermas, que surge e é melhor desenvolvido o conceito do agir comunicativo. Podemos falar também da teoria do conceito de agir comunicativo ou teoria da ação comunicativa (racionalidade comunicativa), teoria da política deliberativa, teoria da esfera pública. Todos estes conceitos vinculados a Habermas. O conceito de agir comunicativo é central a toda a obra deste filósofo. Habermas aponta para um modelo de ação comunicativa, a democracia deliberativa, por meio do qual pode-se obter um consenso de forma não coercitiva na criação de regras sociais. O modelo de ação comunicativa propõe ser uma estrutura racional de interação por meio de debates, argumentações e deliberações, visando a obtenção de acordos entre todas as partes envolvidas e por meio de um consenso. Os espaços de discussão ocorrem na esfera pública e englobam a presença de qualquer grupo social bem como representantes do Estado. Trata-se de um modelo racional de interação que visa alcançar acordos fazendo uso da argumentação, do debate e da deliberação. Ocorrendo na esfera pública, local onde teríamos a presença de diversos segmentos sociais conjuntamente com os representantes do Estado. Esta teoria tem como meta elaborar uma avaliação crítica das formas de vida e das épocas concretas na sua totalidade, meta esta que deverá ser cumprida sem a projeção de normas oriundas de alguma corrente filosófica ou histórica. Habermas ao propor o conceito de agir comunicativo o opõe ao conceito de “razão estratégica” e “ação estratégica”, proposto por Horkheimer e Adorno. No agir comunicativo a ênfase não é atingir uma finalidade de modo eficiente e com economia de recursos, não se trata dos interesses individuais ou de um grupo isolado, mas sim da busca do entendimento, do consenso e da cooperação entre todas as pessoas envolvidas no contexto social.

O homem unidimensional (1) * A Escola de Frankfurt

Marcuse é autor de várias obras, dentre as quais podemos destacar em termos de importância, “O homem unidimensional” (One-Dimensional Man), 1964. Neste livro Marcuse apresenta uma crítica à sociedade ocidental capitalista e ao comunismo então presente na URSS, observando e denunciando que com o desenvolvimento tecnológico surgiram novas formas de dominação e alienação. Dentro desta sociedade unidimensional, a liberdade e a diversidade são suprimidas para se manter a conformidade. Esta sociedade atua na manipulação e alienação das pessoas, criando falsas necessidades e desejos, visando manter a atual estrutura social e evitando qualquer mudança radical que afete o status das pessoas e classes sociais. O pensamento unidimensional se caracteriza pela aceitação não crítica e conformista das estruturas sociais, nas regras e normas que abrangem o comportamento humano dentro da sociedade. Cabe ao humano reafirmar a sua individualidade e liberdade pessoal e com esta atitude se confrontar com a opressão reinante. Cabe uma atitude de oposição ao desperdício, à destruição, à exploração presente na sociedade industrial. O livro traz uma crítica a sociedade de consumo, a conformidade social, a alienação, além de apontar para formas de dominação social e repressão presentes no atual sistema. Mas possui um aspecto positivo ao defender uma sociedade menos repressiva, uma vida autêntica e livre na qual as pessoas possam desenvolver todo o seu potencial.

Eros e Civilização (1) * A Escola de Frankfurt

Aqui pensamos no livro “Eros e civilização” (Eros and Civilization), 1955, de Marcuse, uma das principais obras deste autor. Com forte inspiração em Marx e Freud, a obra se mostra bem otimista com relação ao futuro. Em sua argumentação no decorrer deste livro, busca Marcuse o desenvolvimento de uma sociedade que traga uma nova forma das pessoas se relacionarem. O livro desenvolve uma análise crítica da sociedade capitalista, propondo um modo alternativo para a emancipação do humano. Ao realizar uma crítica radical à sociedade, propõe, também, um novo modo alternativo de vida a ser adotado, mais livre, autêntico e pleno. Numa inspiração na mitologia grega e na obra de Freud, entende Marcuse “Eros” como o princípio da vida, da sexualidade, da vitalidade. Opõe Eros ao “Logos”, a expressão da razão instrumental que domina a cultura ocidental desde a Modernidade. Segundo o pensamento de Marcuse, caberia um retorno a Eros, de modo a integrar de modo saudável a razão com as pulsões sexuais e os desejos individuais. Neste livro, valendo-se da obra de Freud, analisa a possível relação existente entre a repressão sexual e o surgimento da civilização humana, bem como, a estrutura de poder presente nas sociedades industriais contemporâneas. Apresenta uma crítica à enorme ênfase dada a razão instrumental na sociedade, priorizando uma lógica da eficiência com menor gasto de recursos. Ao subjugar o prazer e os desejos individuais à produtividade, se obtém como resultado a alienação e a infelicidade.

Dialética Negativa (1) * A Escola de Frankfurt

O conceito de dialética negativa surge e é desenvolvido no livro “Dialética negativa”, 1966, de Adorno. A dialética negativa vem a se tornar o motivo central de toda a especulação filosófica de Adorno, bem como, de demais membros da “Escola de Frankfurt”. Por meio da dialética os autores de base marxista buscam superar a alienação, mostrando a realidade tal como ela é, ou seja, o embate histórico de classes sociais. Pela dialética negativa Adorno se propõe a discutir todo o processo histórico que culmina na realidade presente, negando suas premissas, buscando encontrar uma verdade que seja legítima e não fruto da alienação. Se opõe à racionalidade tal como foi desenvolvida pelo projeto modernista, incluindo aqui o Racionalismo de Descartes, o Iluminismo do século XVIII e o Positivismo presente no pensamento científico, pois tais visões de mundo tenderiam a legitimar o sistema ideológico capitalista. Temos com o conceito de dialética negativa toda uma crítica ao modo tradicional de uso da dialética. Por dialética se entende a contraposição de dois conceitos opostos (tese e antítese), visando a obtenção de uma nova formulação que supere a ambos (síntese), a isto Adorno chama de dialética afirmativa e entende que a mesma atua reforçando a dominação e opressão na sociedade capitalista. Por sua vez, a dialética negativa se opõe a dialética afirmativa e busca a desconstrução e subversão das estruturas de poder existentes na sociedade. O conhecimento verdadeiro, segundo a dialética negativa, não é afirmativo e sim negativo. A dialética negativa se atém à crítica e à desconstrução de todas as formas de conhecimento dominantes, deste modo, busca também revelar as contradições e os limites presentes nestas formas de conhecimento.

Indústria Cultural (1) * A Escola de Frankfurt

O conceito de “indústria cultural” foi desenvolvido pela assim chamada “Escola de Frankfurt”, o “Instituto de pesquisa social”, aparecendo inicialmente no livro escrito conjuntamente por Adorno e Horkheimer, “Dialética do esclarecimento”, 1947. O foco das análises efetuadas pelos integrantes da Escola de Frankfurt se voltou para o que na linguagem marxista-leninista se chama de “superestrutura”. A mesma consiste em mecanismos que atuam visando manter a estrutura social, exercendo sua força sobre a formação e manutenção das personalidades individuais, das famílias e da forma como concebemos a autoridade. Estes elementos se fazem presentes na cultura de massa e no modo como elementos da arte são ali trabalhados. O conceito de “indústria cultural” faz menção à cultura como sendo mais uma forma de dominação social, por meio de uma indústria capitalista que vende a cultura erudita e popular de modo mesclado e massificado, objetivando a obtenção de lucro. Do mesmo modo que uma fábrica, a indústria cultural tem uma atuação produtiva, sendo seu produto a arte. Aqui temos a formação cultural por meio de produtos artísticos, tais como: filmes, peças de teatro, livros, músicas, pinturas, fotografias, etc., provenientes das mais diversas mídias: jornais, rádios, cinema, tv. A indústria cultural vende elementos provenientes da cultura popular e erudita, por meio da alta reprodutibilidade técnica, enquanto forma de entretenimento para as massas populacionais, de modo a permitir manter a população sob controle, na medida em que esta se encontra satisfeita e feliz com este modo simples e agradável de consumir a arte. Trata-se de uma padronização visando perpetuar na sociedade os valores capitalistas, burgueses e tradicionais, como, por exemplo: modelos de comportamento e linguagem. A arte presente na indústria cultural de massa se torna a principal responsável pela dominação ao reproduzir valores sociais capitalistas e ao tornar a classe operária satisfeita com o consumo de arte. Utilizando-se de histórias e propagandas, a indústria cultural cria necessidades que geram consumo.

Teoria Crítica (1) * A Escola de Frankfurt

O conceito de Teoria Crítica irá ser fundamental na elaboração do pensamento da assim chamada “Escola de Frankfurt”, o “Instituto de pesquisa social”, do qual participaram vários intelectuais de esquerda, fazendo uma releitura de Marx, dentre os quais podemos citar os mais conhecidos como sendo: Horkheimer (1895-1973), Adorno (1903-1969), Marcuse (1898-1980) e Habermas (1929-), dentre outros. A tal ponto este conceito se mostra fundamental dentre os pensadores da primeira geração desta Escola, que para muitos comentadores o termo “Teoria Crítica” se apresenta como sinônimo para “Escola de Frankfurt”.
No livro “Teoria Tradicional e Teoria Crítica”, de 1937, de Horkheimer, e também no livro “Dialética do esclarecimento”, 1947, escrito em conjunto por Horkheimer e Adorno, é apresentado e desenvolvido o conceito de Teoria Crítica, estando esta em oposição à Teoria Tradicional. Na Teoria Crítica teríamos a razão objetiva, já na Teoria Tradicional teríamos a razão subjetiva, formal e instrumental.
A Teoria Crítica se apresenta como uma postura crítica à tradição do pensamento ocidental e também ao pensamento marxista-leninista presente na esquerda política intelectual, se opõe, portanto, ao que chama de “Teoria Tradicional”. Este projeto buscava uma integração entre diversos elementos, provindos de distintos campos teóricos, mas priorizando a leitura da obra de Marx e de uma abordagem materialista histórica. Nele temos presente as ciências sociais, a economia, a sociologia, a psicologia social e a psicanálise.
Os intelectuais defensores da Teoria Crítica pretendiam mostrar as formas de controle social presentes na sociedade, fazendo uma análise crítica do capitalismo, do comunismo e do fascismo (também do Nazismo). Entendiam que na URSS havia uma forma de capitalismo de Estado e não o comunismo como proposto nos escritos de Marx.
A Teoria Tradicional busca descrever a realidade tal qual ela se apresenta, enquanto a Teoria Crítica, por sua vez, tem como objetivo a emancipação do humano. Segundo o pensamento desenvolvido pela Teoria Crítica, é por meio de nossa existência e vivência social que podemos desenvolver a nossa consciência.

Jürgen Habermas (1) * A Escola de Frankfurt

Jürgen Habermas (1929- ) filósofo, sociólogo, escritor, alemão. É proveniente de uma família protestante, sendo seu pai pastor. Entre 1968 e 1972 residiu e trabalhou nos EUA. Considerado como parte da segunda geração da assim chamada Escola de Frankfurt, por ter participado no Instituto de pesquisa social, da Universidade de Frankfurt, como assistente de ensino de Adorno. A primeira geração da Escola de Frankfurt seria composta por Horkheimer, Adorno, Marcuse e outros, a segunda por Habermas e a terceira por Axel Honneth. Há quem considere que Horkheimer representa a primeira geração, que iria da década de 1920 até a década de 1950, que Adorno representaria a segunda geração, a partir da década de 1950, que Habermas seria representante da terceira, e Axel Honneth seria o principal representante da quarta geração, que buscaria retornar para o pensamento anterior ao proposto por Habermas. Dentre seus principais livros temos: “Mudança Estrutural da Esfera Pública”, 1962, “Técnica e Ciência como Ideologia”, 1966, “Conhecimento e Interesse”, 1968, “Teoria da Ação Comunicativa” 1981, “Consciência Moral e Agir Comunicativo”, 1983, “O Discurso Filosófico da Modernidade”, 1985, “Entre Fatos e Normas” 1992, “A Inclusão do Outro: Estudos de Teoria Política”, 1996, “Direito e Democracia”, 2003, “Dialética da Secularização: sobre razão e religião”, 2005, “O Ocidente Dividido”, 2006. Seus trabalhos versam sobre a democracia, tendo contribuído com a teoria do conceito de agir comunicativo ou teoria da ação comunicativa (racionalidade comunicativa), teoria da política deliberativa, teoria da esfera pública. Seus estudos abrangem as bases da teoria social e também da epistemologia, realiza uma análise do sistema democrático capitalista. Se propõe a estudar o Estado de direito dentro do contexto da evolução social, e também estudar a política. Habermas propõe substituir a razão instrumental proposta por Adorno e Horkheimer pela razão comunicativa. A Teoria Crítica presente na Escola de Frankfurt apresenta a razão instrumental como inerente à lógica capitalista. Habermas ao propor a razão comunicativa tem em mente a emancipação do humano, sendo uma postura que pode ser considerada bem mais otimista do que a visão social proposta por Adorno e Horkheimer. Habermas desenvolve em seu trabalho uma crítica às ideais provindas do Positivismo, que, segundo ele, teriam propiciado a geração de uma ideologia tecnocrática na qual predomina a racionalidade instrumental, enquanto único critério possível de validação, reduzindo a práxis à técnica. Dentre as contribuições teóricas de Habermas temos o conceito de ação comunicativa: A Teoria da Ação Comunicativa de Habermas (1981). Trata-se de um modelo racional de interação que visa alcançar acordos fazendo uso da argumentação, do debate e da deliberação. Ocorrendo na esfera pública, local onde teríamos a presença de diversos segmentos sociais conjuntamente com os representantes do Estado. Esta teoria tem como meta elaborar uma avaliação crítica das formas de vida e das épocas concretas na sua totalidade, meta esta que deverá ser cumprida sem a projeção de normas oriundas de alguma corrente filosófica ou histórica.

Herbert Marcuse (1) * A Escola de Frankfurt

Herbert Marcuse (1898-1979) atuou como filósofo, sociólogo, professor e escritor. Marcuse é judeu alemão, tendo se se naturalizado norte-americano (1940), e tem sua história de vida ligada a assim chamada Escola de Frankfurt, o Instituto de Pesquisa Social. Em 1950 os colaboradores do Instituto de Pesquisa Social retornam a Frankfurt, mas Marcuse escolhe permanecer nos EUA, o que faz até o final de sua vida. Dentre suas obras mais importantes e conhecidas, cabe citar: “Eros e civilização” (Eros and Civilization), 1955, “Marxismo soviético: uma análise crítica” (Soviet Marxism), 1958, e “O homem unidimensional” (One-Dimensional Man), 1964. Também importantes são: “Razão e revolução” (Reason and Revolution), 1941, “A ideologia da sociedade industrial”, 1964, “Psicanálise e política” (“Psychoanalyse und Politik), 1968, “Contra-revolução e revolta”, 1972, “A dimensão estética”, 1977, “O fim da utopia” (Das ende der Utopie), 1980. Sua obra apresenta uma crítica ao capitalismo e ao desenvolvimento da tecnologia, ao comunismo e o materialismo histórico, e a cultura do entretenimento desenvolvida no mundo ocidental. Entende que foram desenvolvidas novas formas de dominação, controle social, e repressão, entendendo que a indústria do entretenimento faz parte do rol de instrumentos usados para esta finalidade de alienação. Uma de suas principais obras, “Eros e civilização”, é palco das discussões e argumentações de Marcuse em prol do desenvolvimento de uma nova sociedade e de uma nova forma das pessoas se relacionarem na sociedade. Com forte inspiração em Marx e Freud, a obra se mostra bem otimista com relação ao futuro. Dentre estas novas formas de controle encontramos o incentivo ao consumo por meio da produção de bens supérfluos em grande quantidade visando a satisfação e o prazer das pessoas. Apresenta uma crítica ao racionalismo presente na sociedade de seu tempo. Entende que o papel da contestação social que Marx havia previsto ser exercido pela classe operária, o proletariado, agora passava para os marginalizados desta sociedade, os sem esperança, aqueles que de algum modo se sentem desprezados e não participantes de tudo de bom que a atual sociedade distribui para seus integrantes. São com estas pessoas que se sentem a margem da sociedade, conjuntamente com o desenvolvimento tecnológico, que teremos a revolução. Marcuse participou ativamente dos movimentos civis presentes na década de 1960 nos EUA e Europa (negros, feministas, estudantes, etc.). Escreveu sobre diversos assuntos então em voga em sua época. Defendeu o papel que a arte pode ter no tocante a transformação da sociedade e na emancipação das pessoas com relação à alienação e aos vínculos lhes impostos por uma sociedade capitalista, excludente e opressora. A filosofia tem um papel importante, mas o papel da arte é ainda maior na mudança da forma de pensar das pessoas, pois a arte trabalha na ordem do sensível, enquanto que a filosofia se restringe ao inteligível. Para uma efetiva mudança social é preciso transformar a sensibilidade humana.

Theodor Adorno (1) * A Escola de Frankfurt

Theodor Ludwig Wiesengrund Adorno (1903-1969), filósofo, sociólogo, musicólogo e compositor judeu e alemão. Nasce em Frankfurt, na época Prússia, Império Alemão. Estudou nas universidades de Frankfurt e Viena. Um dos fundadores do “Instituto de pesquisa social”, a assim chamada Escola de Frankfurt, e um dos criadores da Teoria Crítica. Em 1933 deixa Frankfurt em virtude da ascensão do nazismo na Alemanha e vai primeiramente para a Inglaterra e depois para os EUA (1938), retornando após a guerra para Frankfurt (1949), onde vem a atuar como diretor do Instituto. Dentre outras obras é autor de: “Minima Moralia”, (1944, 1945, 1946 e 1947) 1951 e “Dialética Negativa”, 1966. Muito importante é “Dialética do esclarecimento” (Iluminismo), 1947, escrita em conjunto com Max Horkheimer. Também “A Indústria Cultural: o Iluminismo como Mistificação das Massas” 1947, “Filosofia da Nova Música”, 1949, “Crítica Cultural e Sociedade”, 1949, “Tempo Livre”, 1969, “Teoria Estética” (obra póstuma), 1970. Uma de suas principais obras é “Dialética negativa”, 1966, na qual discorre sobre a dialética, enquanto motivo central de toda sua especulação filosófica. Sempre desde uma posição crítica, apresenta a dialética como uma autocrítica da filosofia. A dialética, segundo Adorno, busca romper com a pretensão de totalidade da consciência, bem como, com a tendência desta para a unidade. Trata-se de uma dialética da contradição onde o foco é a negatividade. Adorno faz uma crítica a todo sistema filosófico por meio de sua dialética negativa, a qual possui um caráter assistemático. Não considera o cinema ou o rádio como arte, pois, ambas as técnicas ali envolvidas destinam-se ao lucro em uma sociedade consumista, dentro do conceito por ele elaborado conjuntamente com Horkheimer, de “indústria cultural”. O conceito de “indústria cultural” difere do conceito de “cultura de massa”. A indústria cultural reduz a todos na sociedade a condição de empregados ou consumidores e tem como objetivo ser a portadora da ideologia dominante, proporcionando sentido ao conjunto do sistema. A indústria cultural transforma tudo em negócio e vende com arte algo padronizado para as massas populares, atuando de modo sistemático e programado no sentido de explorar os bens culturais. Também importante são os conceitos de “teoria crítica” e “teoria tradicional” propostos em “Dialética do esclarecimento” (Iluminismo), 1947, por Adorno e Horkheimer, bem como a crítica de ambos à modernidade e ao Iluminismo, questionando o pensamento desenvolvido desde Descartes até os filósofos do Iluminismo no século XVIII. Uma crítica a pensamento presente não somente aos pensadores da Idade Moderna e aos Iluministas, como também ao Positivismo, pois, tais pensadores e movimentos defendem uma razão subjetiva, formal e instrumental, voltada aos meios necessários para se atingir determinado fim do modo mais eficiente e econômico.

Max Horkheimer (1) * A Escola de Frankfurt

Max Horkheimer (1895-1973) é judeu e alemão, proveniente de rica família do ramo industrial de tecidos. Ingressa nos cursos de psicologia e filosofia no ano de 1919, vindo a concluir seu doutorado em 1922. Em 1926 se casa com Rosa Rieker e conjuntamente com Theodor Adorno participa da fundação do “Instituto de Pesquisa Social”, que mais tarde será conhecido como “Escola de Frankfurt”. No ano de 1930 assume o cargo de professor e em 1931 é nomeado diretor do instituto. Horkheimer atuou como filósofo e também sociólogo. Em 1933 o instituto é fechado e em 1934 Horkheimer passa a residir nos EUA. Sua obra clássica, “Dialética do esclarecimento”, escrita em parceria com Adorno, é publicada em 1947. Em 1949, Horkheimer retorna a Frankfurt, levando consigo a biblioteca e o Instituto, tendo sido o mesmo reaberto em 1950, agora com Adorno sendo seu novo diretor. Neste mesmo ano reassume seu cargo de professor, vindo mais tarde a ocupar o cargo de diretor do “Instituto de Pesquisas Sociais” na Universidade de Frankfurt, onde foi Reitor entre os anos de 1951 e 1953. Horkheimer é autor de várias obras: “Materialismo e Moral”, 1933; “Entre filosofia e ciências sociais”, 1930-1938, Authority and the Family, 1936; Teoria Tradicional e Teoria Crítica, 1937; “Dialética do Esclarecimento” (Iluminismo), 1947 (Theodor Adorno); “Eclipse da razão”, 1947 (original de 1941 “The End of Reason”); “Teoria critica ontem e hoje”, 1970. Seus trabalhos versam sobre temas tais como: autoritarismo, militarismo, ruptura econômica, crise ambiental e a pobreza da cultura de massa. Tem sua obra ligada ao desenvolvimento da Escola de Frankfurt, na qual atuou basicamente em duas linhas, com seu trabalho sobre a “indústria cultural” e a “teoria crítica”, sendo que o termo “teoria crítica” tem em suas origens o livro de 1937, escritor por Max Horkheimer, “Teoria Tradicional e Teoria Crítica”. Sua participação na Escola de Frankfurt nos traz o conceito de “teoria crítica”. Em seus trabalhos toma como base o marxismo e outras correntes de pensamento, assumindo uma postura crítica às mesmas. A teoria crítica se opõe a teoria tradicional, ou seja, rejeita a forma como as ideias provindas de Marx vinham sendo adotadas, a semelhança de dogmas não questionáveis. Bem como, também questiona o modelo então adotado em ciências e filosofia, que tem suas origens na modernidade, no Iluminismo e no Positivismo. Ao invés de buscar uma visão da totalidade real da sociedade, deve-se buscar o desenvolvimento de um pensamento crítico. A teoria crítica tem como objetivo ir além do subjetivismo e do realismo presente na abordagem positivista, nos trabalhos de Descartes e no Iluminismo.

Escola de Frankfurt (1) * Introdução à Nova Esquerda Política

Em suas origens a Escola de Frankfurt se reporta ao intelectual judeu argentino, radicado na Alemanha, Felix Weil, quem organizou no ano de 1922, na cidade de Frankfurt, Alemanha, a “Primeira semana de trabalho marxista”, evento este que reuniu diversos intelectuais da esquerda. Como proposta surgida neste evento, foi criado o “Instituto de pesquisa social”, o qual foi inicialmente patrocinado pelo pai de Felix Weil, Herman Weil, e também pelo então governo alemão. O nome inicialmente proposto, mas que foi deixado de lado por ser considerado muito provocativo, era: “Instituto para o marxismo”. O instituto foi criado vinculado à Universidade de Frankfurt, daí o posterior nome dado ao movimento e a seus integrantes: “Escola de Frankfurt”. A gestão do instituto coube a Kurt Albert Gerlach, mas somente no primeiro ano, pois, este veio a falecer. Entre os anos de 1923 e 1930 a gestão do instituto coube a Karl Grümberg. Alguns comentadores colocam a teoria crítica da escola de Frankfurt na década de 1950, ressaltando ser este período o de maior produção e repercussão de seus trabalhos, fazendo uma releitura de Marx e do marxismo, com uma crítica ao marxismo adotado na URSS e do capitalismo nos EUA. Neste grupo teremos os pensadores: Horkheimer (1895-1973), Adorno (1903-1969), Marcuse (1898-1980) e Habermas (1929-), dentre outros. Ao nos referirmos à contribuição da Escola de Frankfurt temos de pensar dois parâmetros, o primeiro sendo a “teoria crítica” por ela desenvolvida, na qual temos uma postura crítica ao modo de pensar de nossa sociedade ocidental a partir do Racionalismo presente na filosofia de René Descartes e seus continuadores e também do movimento Iluminista do século XVIII, bem como, também, ao pensamento marxista-leninista. Já o segundo se dá com relação a “indústria cultural”, onde teríamos a padronização de produtos vinculados a cultura de massas. A Escola de Frankfurt, por meio de seus integrantes, faz uma crítica social tendo por base uma leitura e interpretação da obra de Marx. O conceito de “indústria cultural” foi elaborado dentro da Escola de Frankfurt, tendo surgido por primeira vez no livro “Dialética do esclarecimento”, 1947, de autoria conjunta de Adorno e Horkheimer. A cultura pode ser entendida como uma forma de dominação do sistema social capitalista. Os autores dividiram a cultura autêntica em dois tipos: a erudita e a popular. O foco das análises efetuadas pelos integrantes da Escola de Frankfurt se voltou para o que na linguagem marxista-leninista se chama de “superestrutura”. A mesma consiste em mecanismos que atuam visando manter a estrutura social, exercendo sua força sobre a formação e manutenção das personalidades individuais, das famílias e da forma como concebemos a autoridade.

Jansenistas (1) * Não existe liberdade humana

Jansenista – século XVII e XVIII. Após o teólogo belga e bispo de Ypres, Cornelius Otto Jansen (Jansenius) ter escrito o livro “Augustinus” ocorreu um movimento teológico que buscava apresentar a teoria de Agostinho de Hipo a respeito da graça e do pecado. Este movimento também dá destaque a predestinação, e assume um posicionamento contra as teses tomistas do aristotelismo e do livre-arbítrio, bem como, contra a heresia pelagiana. Apresenta um caráter dogmático, moral, disciplinar e político. Três nomes se destacam dentro deste movimento: Jansen com sua obra Augustinus, Antoine Arnauld com sua ênfase sobre a moral e os sacramentos (eucaristia e penitência), Jean Duvergier de Hauranne, abade de Saint-Cyran, na questão disciplinar com relação as autoridades eclesiásticas e um maior enfoque político, donde resulta três distintos aspectos: dogmático, moral e disciplinar. O termo “jansenismo” por vezes é igualado a “Port-Royal”, sendo conhecida como “doutrina de Port-Royal”, isto apesar de algumas diferenças existirem. Blaise Pascal se identificava com o movimento e escreveu dezoito cartas anonimamente, sob o pseudônimo de Louis de Montalte, no período de janeiro de 1656 a maio de 1657, defendendo a causa jansenista. Estas cartas hoje formam um livro, cujo título é “As Provinciais”. Estas cartas tem como objetivo a defesa não somente das ideias jansenistas, mas também a defesa de Antoine Arnauld. Na época este teólogo estava sendo julgado em Paris pelas suas ideias e oposição aos jesuítas, afetando sua posição ocupada na Sorbonne. Muito presente nesta doutrina é a presença de uma dada interpretação dos escritos de Agostinho de Hipona, sobre a graça, o servo arbítrio e o pecado universal. Em virtude do pecado de Adão, passado aos seus descendentes, só é possível ao humano fazer o bem a partir da graça de Deus, logo, temos uma negação da liberdade total do humano, do livre arbítrio, em prol de uma liberdade devedora da graça de Deus, trata-se de um servo arbítrio no tocante a fazer o bem e angariar a salvação. O rigor moral também se mostrou presente dentro dos adeptos desta doutrina, bem como, uma forte oposição aos jesuítas (Companhia de Jesus). Politicamente tendem a se opor não somente ao poder do papa, mas também ao poder absoluto do rei de França, ao absolutismo político. O aspecto dogmático se mostra como base de sustentação do movimento, sendo a origem das prescrições morais e disciplinares deste movimento. A doutrina jansenista tem como ponto central uma antropologia de cunho pessimista quanto à natureza humana, após o pecado original cometido por Adão, toda a sua descendência herdou esta culpa, possuindo uma natureza corrupta e inclinada para o mal, não sendo possível para o humano por intermédio de suas próprias forças se encaminhar para a prática genuína de boas obras, havendo, portanto, a necessidade da intervenção da graça de Deus, bem como, do sacrifício de Jesus para libertar a humanidade. Apesar de aceitarem um culto a um santo tido pelo movimento, o Cônego François Pâris, no cemitério de St. Médard, em Paris. Havendo uma cerimônia junto ao túmulo, contando com relíquias, orações e êxtases místicos. No geral eram contra o culto aos santos e à virgem Maria. Se apresentavam como cristocêntricos.

Iconoclastas (1) * ´Destruir imagens sacras e acabar com a idolatria

O termo “iconoclastia” surge na Igreja Bizantina (Império Bizantino ou Império Romano do Oriente) e tem na sua composição dois radicais provenientes da língua grega: “eikóne” (ícone) e “Klastein”. O primeiro faz referência a “imagem” e o segundo a quebrar ou romper, ao juntar ambos temos algo como “aquele que destrói ou rompe com as imagens”. Este Movimento surge no Império Bizantino em torno dos séculos VIII e IX d.C., vindo a se apresentar como um dos mais significativos conflitos político-religiosos envolvendo as imagens religiosas. Se mostram contrários a veneração, a contemplação e a adoração de qualquer imagem. Segundo o entendimento dos iconoclastas, as imagens de santos presentes nos templos religiosos seriam ídolos e sua veneração idolatria.

Nestorianismo (1) * Maria não é mãe de Deus

Nestorianismo – século V ao VII d.C. Esta doutrina foi formulada por Nestório, Patriarca de Constantinopla. Segundo esta doutrina, Jesus Cristo apresentaria duas naturezas distintas, uma divina e outra humana. Afirma que Maria seria mãe somente da parte humana de Jesus e não da parte divina. Nestório criticou publicamente o título de “Teótoco” dado a Maria (virgem Maria). O termo “Teótoco” significa “portadora de Deus”, trata-se de um título grego usado em particular na Igreja Ortodoxa, já os Católicos e Anglicanos preferem o termo “mãe de Deus”. Segundo este entendimento, Jesus teria duas naturezas. Quando da realização de qualquer ação também realizada por um humano, era a parte humana de Jesus que realizava esta ação. Já quando Jesus realizava atos de natureza Divina, era neste momento a parte divina de Jesus que atuava. Maria seria mãe somente do homem Jesus, de sua natureza humana e não divina, não sendo, portanto, “portadora de Deus” ou “mãe de Deus”. A doutrina de Nestório foi condenada pelo Concílio de Éfeso, em 431 d.C., que foi convocado tendo esta questão em particular para ser por ele tratada, sendo também condenada no Concílio de Calcedônia, em 451.

Pelagianismo (1) * Não é necessário a Graça Divina para a salvação

Pelagianismo (esta forma de escrever deriva do latim “Pelagianus”, referente a Pelágio); Pelagismo (adaptação mais moderna e simplificada, que ganhou espaço principalmente a partir do século XX). Pelagianismo, provém de Pelágio da Bretanha, seu fundador e nega o pecado original, a corrupção da natureza humana, o servo arbítrio, a necessidade da graça divina para a salvação. Pelágio se opôs radicalmente contra os ensinamentos de Agostinho de Hipo, defendendo uma maior moralidade por parte do comportamento dos cristãos. Entendia Pelágio que cabia ao cristão manter uma luta constante pela sua salvação, com total empenho e esforço próprio para obter tal resultado. Defendia que o pecado original de Adão afetara somente a este e não a toda a humanidade. O pecado de Adão não foi transmitido a humanidade. Adão pode ser entendido como um exemplo do que é o pecado. Segundo defende a doutrina proposta pelo pelagismo, cada humano ao nascer se apresenta na mesma condição de Adão antes de sua queda motivada pelo pecado da desobediência a Deus. Ao nascer cada humano é inocente da corrupção e da culpa do pecado. Deus daria a habilidade aos humanos para que estes pudessem viver vidas perfeitas. Adão seria, sim, um mau exemplo para a humanidade, mas seus atos não teriam consequências sobre a mesma. Já Jesus atuaria como um bom exemplo para a humanidade, em oposição a Adão. A humanidade teria total controle sobre as suas ações. A graça divina não é necessária para a salvação, se bem possa facilitar a obediência a Deus. Pelágio da Bretanha participou de debates e controvérsias com Agostinho de Hipona no século V d.C. A doutrina vencedora foi a defendida por Agostinho, na qual o pecado cometido por Adão afetaria toda a humanidade, sendo uma herança que recebemos já ao nascer e somente pela graça de Deus podemos evitar o pecado e obter a salvação. Para escolher e seguir o caminho da salvação precisamos da graça de Deus.

Donatismo (1) * Sacramentos de sacerdotes traidores não tem valor. Sacerdotes devem ser puros.

Donatismo (século IV a VII d.C.), fundado por Donato de casa Nigra (Donato de Casas Negras), bispo no norte da África, na Numídia e em Cartago. A data geralmente aceita para o início deste cisma é o ano de 306 d.C. (alguns entendem ser 311). Esta doutrina surge forte na África e ali permanece até a extinção do Cristianismo nessa região, pelos muçulmanos. Em decorrência deste cisma a Igreja no norte da África rompe com a Igreja Católica com sede em Roma, alguns bispos da Numídia não reconhecem a legitimidade da consagração de Ceciliano, novo bispo de Cartago, estes religiosos afirmam que tanto ele quanto os que o ordenaram tinham traído a fé cristã durante a grande perseguição ocorrida no governo de Diocleciano. Estes bispos e seus seguidores afirmam representar a verdadeira Igreja dos mártires. Para os donatistas, aqueles que durante as perseguições haviam entregue os livros sagrados aos perseguidores para se salvarem de serem presos, torturados e mesmo mortos, eram todos traidores da verdadeira fé cristã e se reintegrados à Igreja, seus sacramentos não teriam valor algum. Quem fosse, por exemplo, por eles batizados, deveria ser re-batizado por um sacerdote digno, para que este sacramento tivesse valor. Donato defende que os sacerdotes devam demonstrar pela sua vida e comportamento um estado de pureza, não podendo realizar sacramentos na Igreja aqueles que não demonstrem um comportamento correto e exemplar, que tenham negado sua fé e sua verdadeira missão no passado. No século IV d.C. Agostinho de Hipona argumenta contra o movimento donatista. Agostinho defende a validade dos sacramentos, se opondo a este movimento neste tocante.

Arianismo (1) * Só existe um único Deus. Jesus não é Deus.

O Arianismo foi fundado por Ário, sacerdote da igreja de Alexandria, no século IV. Acreditam na preexistência de Cristo, mas negam que Jesus Cristo e Deus Pai tenham a mesma substância (consubstancialidade), Jesus não é Deus Pai, é subordinado a este. Somente existe um único Deus e este é Deus Pai, sendo Jesus, seu filho e não o próprio Deus. Para o Arianismo só existe um único Deus. O Arianismo nega a divindade de Jesus e do Espírito Santo. Jesus Cristo pode ser entendido como superior aos humanos, mas não possui a mesma substância de Deus Pai.

Modalismo (1) * Deus é Um. Não existe uma Santíssima Trindade.

Modalismo – século III d.C. Também conhecido por “Sabelianismo”, ou “monoteísmo modalista”, ou “patripassianismo”, ou “unicismo”, ou “monarquianismo modal” (do grego monarchia – governo exercido por uma única pessoa), ou “noecianos”. Como consequência do “patripassianismo”, das palavras latinas patris (pai) e passus (para o sofrimento), temos que Deus Pai sofreu na cruz com (ou como) o Filho. Os termos “Pai”, “Filho” e “Espírito Santo”, são somente nomes/palavras diferentes para a mesma pessoa, modos ou formas diferentes de se apresentar, como máscaras usadas por um mesmo ator no palco para representar papéis / personagens diferentes. A unidade de Deus especificada no antigo Testamento é totalmente incompatível com uma distinção de Pessoas em uma Divindade Una. O modalismo assumia um nome diferente de acordo com a região em que surgia e era defendido, bem como por suas particularidades doutrinárias naquela região ou em referência a uma consequência de sua doutrina (Patripassianismo) ou de um de seus mais destacados líderes (Sabelianismo). No decorrer de um período de cerca de mais ou menos cem anos, cresceu e se expandiu pelo Império, estando presente em Roma, Ásia Menor, Síria e Egito. Deus é uma única pessoa que se manifesta de três maneiras diferentes (Pai, Filho e Espírito Santo), não existindo três pessoas divinas distintas. O termo “modalismo” vem de se entender haver três modos de apresentação para uma única pessoa. Segundo a doutrina modalista, na Bíblia, Antigo e Novo Testamento, quando é atribuído um número a Deus, este é o “Um”, não havendo em lugar algum nestes escritos uma referência explícita a ser Deus uma trindade. Em verdade, o número “três”, numa referência a existirem três deuses (pai, filho e espírito santo), não é mencionado na Bíblia. Segundo a crença presente no modalismo, há apenas um Deus que aparece e opera em três modos. Não existe uma segunda ou terceira pessoa, seja o filho ou o espírito santo.

Maniqueísmo (1) * O Bem contra o Mal: O equilíbrio e a explicação para o mal no mundo.

Maniqueísmo (século III ao IV) é uma heresia cuja principal corrente doutrinária provém de Maniqueu (210/216 – 276 d.C.), que teve sua origem no Mandeísmo. Seu fundador, Mani ou Manes ou Maniqueu, defende um dualismo no qual temos duas entidades com mesmo status ontológico, uma associada ao Bem (o reino da luz) e outra ao Mal (o reino das sombras), entendendo que o bem e o mal são igualmente poderosos.

Buscava obter um sincretismo religioso e apresentava uma explicação para o mal no mundo, o qual passava a ser visto como um dos dois princípios base, que se apresentavam em constante luta. A criação do mundo, do humano, o comportamento moral a seguir, e tudo o mais, tem sua explicação por meio destes dois princípios.

Os adeptos do Maniqueísmo consideravam seu fundador, Mani, como sendo um profeta persa. Mani proporcionou a fusão de diversos elementos contidos no zoroastrismo, no hinduísmo, no budismo, no judaísmo e no cristianismo. Por tal motivo, entre seus seguidores, Mani foi colocado em igualdade diante dos fundadores destes movimentos religiosos, ou seja, Zoroastro, Buda, Jesus Cristo.

Mani acreditava ser portador de uma mensagem universal que deveria substituir todas as religiões existentes a sua época, em verdade, sua doutrina tem um aspecto ecumênico, integrando ideias presentes em outras religiões (zoroastrismo, budismo, cristianismo). No maniqueísmo temos presente um sincretismo religioso entre doutrinas orientais e o cristianismo. Temos a presença de elementos provenientes do gnosticismo, da cultura da Babilônia e também da Pérsia, então vigente no século III d.C..

O ponto principal desta corrente religiosa é a existência de duas divindades, uma do Bem e outra do Mal, as quais existem por si-mesmas e em igualdade. No Maniqueísmo temos presente um princípio do Bem e outro princípio do Mal, ambos poderosos. Entende esta doutrina que as coisas materiais são más, a matéria é má e o espírito é bom. Tanto o Bem, como também o Mal, possuem existência ontológica. A doutrina incentiva uma vida de castidade, renúncia à família, alimentação especial, e uma vida ascética em geral.

Montanismo (1) * Heresia Frígia: A Nova Revelação

Montanismo – século II ao VIII d.C. Montanismo, fundado por Montano em torno de 156/157 ou segundo outros comentadores, 172 d.C., tem sua origem em Hierápolis, na região da Frígia, e se espalha rapidamente pelo então Império Romano. Se espalhou por várias comunidades cristãs na Ásia, Roma e norte da África, perdurando até o século VIII. Devido ao local de sua origem, também foi conhecida como “heresia Frígia”. Seus partidários o chamavam de “Nova Revelação” e “Nova Profecia”. Trata-se de um movimento que surge de dentro do cristianismo, tendo inicialmente sido aceito, e posteriormente rejeitado como heresia. Entendem que as profecias dos líderes do movimento se sobrepõem às doutrinas tidas pelos apóstolos. Enquanto na sua época histórica tendia a predominar uma abordagem mais sóbria e equilibrada com relação a teologia cristã, os montanistas incentivavam as profecias durante um estado de êxtase místico. Um grupo dentro dos montanistas (quatrodecimanos) entendiam que a Páscoa deveria ser celebrada pelo calendário hebraico. Antes de se converter ao cristianismo, em 155 d.C., Montano atuava como sacerdote de um culto pagão (sacerdote de Apolo ou Cibele). Seu fundador, Montano, era rotineiramente acompanhado por duas mulheres profetizas (Priscila ou Prisca, e Maximila). O Montanismo baseava sua doutrina nos evangelhos quando este nos fala da promessa de Jesus sobre a vinda do Espírito Santo, o Paráclito. Este espírito da verdade teria como missão guiar e ensinar aos cristãos, ampliando seu entendimento sobre as coisas. Montano e as duas mulheres que o acompanhavam atuavam como um instrumento do Espírito Santo, que falava por meio deles, quando estes se encontravam em estado de êxtase.

Marcionismo (1) * Existem dois deuses na Bíblia. Um é bom e amoroso e o outro é mau e vingativo

Marcionismo – século II d.C. Seu fundador foi Marcião (ou Márcion) de Sinope (85-160 d.C.). Foi filho de cristãos, sendo seu pai bispo de Sinope. Em 138 d.C. se dirige a Roma onde começa a angariar adeptos para suas ideias. Em 144 é excomungado e funda sua própria Igreja. O Marcionismo se expandiu por toda a bacia do Mediterrâneo. Segundo esta doutrina, o Deus presente no Antigo Testamento é diferente do Deus presente no Novo Testamento. Rejeitava o Antigo Testamento, entendendo o mesmo como incompatível com a mensagem contida no Novo Testamento. Marcião se aproximava dos escritos do apóstolo Paulo, de quem muito gostava, e simultaneamente se afastava e renegava o povo judeu, se opondo a tudo que fosse originário do judaísmo. Sofre influência do gnosticismo. Apresenta uma doutrina onde temos diversas oposições, tais como, entre a justiça e o amor, entre a lei e os evangelhos. Entendia haver uma contradição presente na existência de dois deuses, um vinculado ao Antigo Testamento, que seria o Deus da Lei, o Demiurgo, o Deus criador do mundo material. O outro Deus vinculado a Jesus Cristo, que seria um Deus do amor. O Deus presente no Antigo Testamento é um Deus vingativo, legalista e irado, já o Deus presente no Novo Testamento é um Deus de graça e amor. Há uma visão semelhante à do Docetismo, ao crer que Jesus não estava presente fisicamente, em carne e osso e sim somente em aparência espiritual. Marción negava a humanidade de Jesus Cristo, ensinava que Jesus não possuía um corpo físico real, mas apenas parecia ser humano. Entendia que Jesus era uma manifestação divina pura que veio para salvar a humanidade da influência do Deus do Antigo Testamento.

Docetismo (1) * Jesus é um fantasma, uma ilusão, mera aparência humana

O termo “docetismo” (século II e III d.C.) tem sua origem no grego “dokein”, vindo a significar: “parecer”. Jesus teria vindo a este mundo somente com a aparência humana, sendo totalmente divino. Aqui temos uma doutrina que nega que haja verdadeira humanidade em Jesus Cristo. Negavam a humanidade de Cristo, mas afirmavam a divindade. Segundo seus adeptos Jesus não teria um corpo real com carne, ossos e sangue. Seu corpo seria mera aparência, uma ilusão, e a crucificação também teria sido algo meramente aparente e não real. Jesus era um espírito com aparência humana.

Ebionismo (1) * Jesus não é Deus. Jesus é somente um profeta

O termo “Ebionismo” (século I e II d.C.) encontra sua origem no grego e hebraico, vindo a significar “pobres” (No hebraico a palavra “ebyon”). Os adeptos do Ebionismo assumiriam uma postura de simplicidade ante a vida, daí seu nome designando a pobreza no sentido de vida simples. Outros entendem que o nome surge a partir de seu fundador Ebion. Tende a designar vários movimentos que surgiram a partir do segundo século d.C., de dentro do cristianismo, mas de origem judaica. Eram grupos de cristãos judeus que observam a lei de Moisés, podendo ou não exigir que os demais cristão fizessem o mesmo. Nega a divindade de Jesus. A origem do Ebionismo é judaica e seus adeptos acreditam ser Jesus um profeta humano, não possuindo uma natureza divina. Ou seja, Jesus Cristo não é Deus. A salvação se daria não somente pela fé em Cristo e sim pela observação e prática dos princípios estipulados nos costumes e lei judaica, deste modo, a salvação era uma conquista pessoal baseada na obediência a lei (Torá). Para os Ebionitas as Escrituras Sagradas seriam o Antigo Testamento e um único evangelho novo, o evangelho dos Hebreus, ou, o evangelho segundo Mateus, menor que o que temos hoje como sendo o Evangelho de Mateus e com passagens modificadas.

Gnosticismo (1) * O conhecimento da verdade (Gnosis)

Nosso conhecimento sobre o gnosticismo (século II d.C.) no decorrer da história foi muito escasso e suas fontes estavam vinculadas àqueles que o combateram enquanto heresia cristã, somente no ano de 1945 é que foram encontrados diversos manuscritos que explicavam em essência o gnosticismo a partir do ponto de vista de seus adeptos. Estes manuscritos se chamam “Biblioteca Copta Nag Hammadi”, por terem sido encontrados próximos a cidade de Nag Hammadi (região do Alto Egito). Trata-se de uma coleção contendo um total de treze códices em papiro, protegidos por couro, escritos em língua copta e encontrados por um camponês local chamado Mohammed Ali Samman, que encontrou uma jarra selada enterrada contendo os treze códices em papiro envolvidos por couro. Além da descoberta de Nag Hammadi, em 1945, cabe lembrar a descoberta do Mar Morto, em 1947, onde um grupo de pastores de cabras (beduínos), buscando por um de seus animais, encontrou em cavernas (cavernas de Qumran, na Cisjordânia – cerca de 12 cavernas) alguns jarros de cerâmica contendo em seu interior rolos de papiro com manuscritos antigos, datando do século II d.C. Ao pensarmos o Gnosticismo, temos que não há um fundador específico para este movimento religioso. O termo é aplicado a diversos movimentos de cunho religioso e sincretista, existem diversas seitas agrupadas com o nome de gnósticas (gnostikós). Se formos buscar uma definição no grego antigo, temos que “gnostíkós” significa “aquele que sabe” ou “que entende”. Essencialmente os gnósticos entendiam que o mal é a ignorância, o Bem é o conhecimento. Para se obter a salvação é importante o conhecimento (gnose) para poder se libertar da prisão da matéria. Esta ideia central de que o mal está associado a ignorância das pessoas diante do mundo e que o bem será gerado por meio do conhecimento, está presente não somente no gnosticismo nos começos do cristianismo, mas mesmo hoje em dia em diversas doutrinas e ideologias.

Heresias cristãs (1) * Introdução à intolerância religiosa

Se formos buscar a origem e significado do termo “heresia” no grego (hairetikós) e no latim (haeretĭcus), teremos como resposta “opção” ou “escolha”. Uma vez estabelecido uma doutrina religiosa, no caso a religião cristã, teremos correntes de pensamento majoritário e minoritário entre seus integrantes e a cúpula do movimento, um pensamento ou doutrina diferente do aceito pelo grupo dominante será tido como herético. Toda religião única ou conjunto de crenças pautado em uma verdade única, há de ter aqueles que sejam heréticos por fazerem escolhas distintas das ortodoxas. No caso da Igreja cristã, desde seu surgimento houve um esforço para se tentar manter a unidade do movimento. Dentre os esforços para manter esta unidade, tivemos os Concílios, desde o primeiro, de Nicéia (325 d.C.), convocado pelo imperador Constantino I. Em decorrência de haver a disputa em torno de uma verdade única, aqueles que perdiam tal contenda tendiam a ser perseguidos, humilhados, presos, e mesmo executados (decapitados, queimados em fogueiras, afogados, etc.). Fenômeno religioso este não presente na Antiguidade, onde o crime mais próximo seria o de impiedade para com os deuses, mas cada qual poderia expressar sua própria crença religiosa e não era obrigado a se converter a alguma crença em particular. Foi na Idade Média que a intolerância religiosa se fez presente de modo absoluto. Algumas das principais heresias incluem: 1- Gnosticismo – século II d.C. 2- Ebionismo – século II d.C. 3- Docetismo – século II e III d.C. 4- Marcionismo – século II d.C. 5- Montanismo – século II ao VIII d.C. 6- Maniqueísmo – século III d.C. 7- Modalismo – século III d.C. 8- Arianismo – século IV e V d.C. 9- Donatismo – século IV a VII d.C. 10- Pelagismo – século V d.C. 11- Nestorianismo – século V ao VII d.C. 12- Iconoclastas – século VIII ao IX d.C. 13- Jansenistas – século XVII e XVIII d.C.

Johann Gottfried Von Herder (1) * Filosofia da história e o espírito da nação (Volkgeist)

Johann Gottfried Von Herder (1744-1803), de origem alemã, atuou como filósofo, poeta e escritor, estudou medicina em Könisgsberg, onde foi aluno de Kant, sendo que mais tarde se tornou um crítico e opositor das ideias de Kant. Também estudou teologia, vindo a atuar como pastor protestante entre 1765-1769. Enquanto filósofo busca a elaboração de uma filosofia da história. Suas principais obras são: “Outra filosofia da história para a educação da humanidade”, 1774, e “Ideias sobre a filosofia da história da humanidade”, 1784-1791. Se opõe a questões defendidas pelo Iluminismo e se apresenta como um precursor do Romantismo. Herder defende o pensamento de Spinoza e entende que Deus está inteiro em cada coisa, em cada pequeno ponto de sua criação, disto resultando ordem, beleza e harmonia universal. Pensa que Deus não exista de modo transcendente, fora do mundo e sim somente de modo imanente. A religião, bem como a poesia, nasce da necessidade humana de interpretar os fenômenos da natureza. Entende Herder que o sentimento religioso é mesmo anterior aos conceitos abstratos e este sentimento tende a elevar o humano acima dos demais animais. A religião tende a surgir de modo natural na alma humana, surgindo mesmo antes da razão. Na sua obra “Vozes dos povos em canções”, temos canções populares inglesas, eslavas, escandinavas e espanholas, ao lado de alemães, todas anotadas e traduzidas. Herder também compilou diversas narrativas folclóricas de origem germânica. Herder busca interpretar as diferentes vozes nacionais presentes na Europa e deste modo atuando em prol da criação de um nacionalismo literário. A obra de Herder exerceu influência sobre o surgimento do movimento Romantismo, bem como, do nacionalismo e da defesa dos valores ancestrais germânicos. Seu pensamento e obra objetivava um resgate da história e da cultura da região de língua alemã. A linguagem, segundo Herder, consiste em um processo dinâmico, em perpétua mutação e aperfeiçoamento constante. Contrário a um conceito presente então no Iluminismo, que defendia a igualdade de todos os humanos, Herder entendia que cada região, cada nação, cada povo, tem um espírito (Volkgeist) todo seu e particular, que deve ser respeitado justamente por ser único. Herder há de defender o conceito de nação em oposição a uma Europa única. Contrário aos impérios que submetem os povos e culturas, destruindo aos poucos a sua individualidade enquanto povo. A nação é caracterizada por elementos tais como as tradições presentes no povo, a educação, a linguagem. Herder rejeita o imperialismo e também o materialismo. Ele entende que cada nação composta por um povo é diferente de outra, é única. Cada povo possui a sua identidade, a humanidade é composta por uma espécie única, mas que teve desenvolvimentos diferentes em regiões diferentes. Temos diferentes linguagens, culturas, estilos de vida por parte de grupos sociais diferentes, pois, estes habitaram em meios ambientes também diferentes.

Étienne Bonnot de Condillac (1) * Da estátua de mármore à economia liberal clássica

Étienne Bonnot de Condillac (1714/1715-1780) nasce em Grenoble, é ordenado sacerdote e foi abade de Mureaux. Em 1740 abandona o seminário para se dedicar à filosofia, vindo a se tornar crítico dos dogmas religiosos. Suas principais obras são “Ensaio sobre a origem do conhecimento humano” (Essai sur l’origine des connaissances humaines), 1746, e “Tratado sobre as sensações” (Traité des sensations), 1754. Tomando por base o livro de 1776, “O Comercio e o Governo Considerados em suas Relacoes Reciprocas” (Le commerce et le gouvernement considérés relativement l’un à l’autre), Condillac também deve ser visto como um economista liberal clássico, pois, estuda o valor e afirma seu caráter subjetivo, defende a liberdade econômica e comercial, em particular o livre comércio, e denuncia os perigos inflacionários da manipulação monetária, deste modo, temos neste autor um pioneiro da economia política. Diferentemente dos Fisiocratas que entendiam que somente a agricultura era capaz de criar riquezas, Condillac deixa este posto para a indústria, afirma em sua obra que o valor repousa sobre sua utilidade, o valor das coisas é determinado pela necessidade que a pessoa possa ter desta coisa, o valor é subjetivo, atendendo às necessidades de cada parte envolvida na negociação, pois, cada pessoa há de estimar o valor segundo suas próprias necessidades. As necessidades que possamos ter de algo, tem a ver também com a abundância ou raridade (ambas também subjetivas, pois não se trata da real quantidade disponível de algo, e sim de como as pessoas percebem se existe ou não o suficiente deste algo para atender as suas necessidades) deste mesmo algo. As pessoas hão de sentir maior necessidade quando algo for raro e menor quando for abundante. Ele é o primeiro a pensar de modo explícito a relação entre a economia e a política. Em sua principal obra, “Tratado das sensações” (Traité des Sensations), 1754, faz uso do exemplo de uma estátua (a estátua de Condillac, como ficou mais tarde conhecida) que estaria interiormente organizada como o corpo humano, mas revestida de mármore e privada de seus sentidos, a exceção do olfato. Condillac não aceita a existência de ideias inatas, de princípios inatos e de habilidades inatas. Por meio da experiência sensível com o mundo que nos rodeia, obtemos conhecimento oriundo das informações nos dadas pelos nossos sentidos e também desenvolvemos capacidades internas, como a atenção, a memória, a imaginação, a abstração, o juízo e o raciocínio, como exemplificado pela estátua recoberta por mármore. É a experiência que molda nossos desejos, nosso querer. Condillac separou sensações e sentidos: os sentidos seriam a causa. Segundo o pensamento de Condillac, não existe qualquer conhecimento que não tenha sua origem do exterior para o interior do humano, é pelas nossas experiências no mundo que adquirimos toda informação e conhecimento. Cabe a Condillac, conjuntamente com Voltaire, ser um dos principais pensadores a introduzir na França as ideias e princípios filosóficos de John Locke.

Giambattista Vico (1) * Ciência Nova: Uma teoria cíclica da história e da cultura

Giambattista Vico (1668-1744) nasce em Nápoles, Itália. Se dedicou a estudar a Escolástica e o Direito, atuou como professor de retórica, filósofo, historiador, pedagogo, poeta, orador e jurista. Sofre influência do cristianismo, de Platão, de santo Agostinho e de Bossuet. Sua principal obra é “Principi di una scienza nuova d’intorno ala commune nature delle razioni, 1725 (muitas vezes abreviado na tradução como “Ciência nova”. A última versão atualizada pelo autor é datada de 1744). Dentro do período do Iluminismo, tende a se opor ao mesmo (anti-iluminismo ou contrailuminismo). Enquanto as ciências naturais e as matemáticas ganhavam destaque e importância diante do pensamento de René Descartes, bem como do movimento Iluminista, coube a Vico destacar que a imaginação, a linguagem e a história também possuem um status digno para a obtenção de conhecimento, pois, tais campos eram negligenciados pelas correntes racionalistas de seu tempo como não passíveis de produzirem um conhecimento pautado em ideias simples, claras e distintas, bem como, verdadeiro. Em “Ciência nova” temos que a única verdadeira ciência é a história, mas aqui trata-se de uma história inclusiva, pois, abarca toda a produção humana (linguagem, literatura, economia, arte, ciência, filosofia, tecnologia, antropologia, etc.), se contrapondo à filosofia científica então dominante em sua época, que tende a proporcionar o status de ciência exclusivamente para as ciências da natureza, excluindo a história. Em sua obra, busca determinar as leis naturais da história. O problema específico abordado e estudado por Vico é o problema da história, daí ser sua doutrina associada ao historicismo e também a uma antropologia. A história humana e natural é um reflexo de um mundo transcendente, de uma realidade ideal. Vico elaborou uma teoria cíclica da história e da cultura. Vico é um autor isolado no seu tempo histórico, pois, vivendo em pleno século do Iluminismo, se contrapõe ao mesmo, por um lado se mostra presente em interesses filosóficos que o levam ao Renascimento e Humanismo, com a redescoberta de Platão e o neoplatonismo, por outro lado, se apresenta como um anunciador dos temas e problemas enfrentados pelo Romantismo e Barroco. Apresenta Vico uma filosofia da história que eleva esta disciplina a categoria de ciência, detentora da verdade por ser produto construído pelos humanos, uma história que se realiza de modo cíclico, por etapas (três) e determinista. Nele temos presente o cristianismo e a ideia da existência do Deus cristão, da imortalidade da alma e da Providência Divina.

Francis Hutcheson (1) * Um dos primeiros pensadores liberais e professor de Adam Smith

Francis Hutcheson (1694-1746) nasce no norte da Irlanda proveniente de família de origem escocesa. Dentre suas obras mais conhecidas, podemos citar: “Investigação sobre a beleza, ordem, harmonia e desígnio”, 1725; “Introdução quanto ao bem moral e o mal”, 1725; “Ensaio sobre a Natureza e conduta das paixões e afecções”, 1728; “Ilustrações sobre o senso moral”, 1728. Cabe destaque à obra “System of Moral Philosophy”, 1737-1738 (mas publicada postumamente em 1755), seu trabalho mais longo e com a explicação mais completa sobre seu método e ideias. Aborda de modo amplo a questão da moralidade, traz uma discussão sobre a natureza humana, bem como sobre os deveres que as pessoas têm para com Deus, para com outras pessoas e para si mesmas; argumenta sobre o Bem supremo, a liberdade civil, direitos, contratos, casamento, direitos e deveres dos pais, sobre as leis presentes em tempos de paz e de guerra. Nesta obra se posiciona contra a instituição da escravidão. Defende a justiça e necessidade social da existência da propriedade privada. Os direitos sobre a propriedade privada atuam como uma instituição essencial para que as pessoas tenham um real motivo e habilidade para aplicar seus conhecimentos, habilidades e esforço para melhorar o modo como vivem e deste modo, indiretamente, melhoram também as condições de vida de todos os demais dentro da sociedade. É o principal representante da assim conhecida Escola do sentido moral. Hutcheson pode ser entendido como um dos primeiros pensadores liberais, pois, entende que é possível uma sociedade livre, onde a maior presença de liberdades individuais favoreça o surgimento da felicidade de todos. Para os que estudam história e política, o maior interesse sobre a obra de Hutcheson recai sobre as teorias sobre economia e liberalismo, já para quem estuda filosofia e psicologia, o maior interesse pela obra deste autor se centra em sua teoria sobre a natureza humana e o interno senso moral.

Bernard Fontenelle (1) * Divulgador do conhecimento científico e filosófico

Bernard le Bovier (ou Bouyer) de Fontenelle (1657-1757) faz parte do movimento do Iluminismo na França. Bernard Fontenelle é um cientista francês e homem de Letras. Seus interesses o fazem dramaturgo, poeta, filósofo, matemático, advogado, astrônomo e estudioso da religião. Foi membro da Royal Society. Sofre influência e adota para si a filosofia de Descartes, em particular quanto a física e a astronomia, preferindo-a no lugar da de Newton. Se aproxima do Empirismo e de uma teoria do conhecimento fundada nos sentidos. Na questão dos universais, assume uma atitude Nominalista. Assume uma posição contrária a todas as religiões positivas, mas não uma atitude de ateísmo, pois, admite a existência de um Deus criador, a semelhança de um grande arquiteto do universo que tem o poder de tudo ordenar. Mais próximo do deísmo, e contrário as religiões positivas e também do ateísmo. No ensaio “Histoire des oracles”, questiona as crenças e superstições, analisa a história dos oráculos e põe em dúvida se haveriam realmente aspectos sobrenaturais. Faz uma análise dos comportamentos humanos irracionais baseados meramente na crença e critica o cristianismo por meio de suas reflexões sobre o tema. Em “De l’origine des fables” Fontenelle faz uma comparação entre as fábulas, mitos, dos gregos antigos com os nativos americanos, chegando a conclusão de que haveria uma predisposição universal dos humanos para a criação dos mitos. Ele entende os mitos como algo absurdo, mas argumenta que os mesmos teriam surgido em sociedades primitivas. Fontenelle atuou de modo a poder transmitir as mais distintas ideias provindas da ciência e da filosofia de seu tempo para a grande maioria das pessoas, tornando a linguagem científica e erudita bem mais compreensível, de modo a melhor divulgar tais ideias. Isto resultou na maior popularidade da filosofia e das ciências na França por parte das pessoas em sociedade e também estimulou vocações. O papel exercido por Fontenelle de divulgador das ideias de seu tempo, tornou as mesmas mais acessíveis para não cientistas e não filósofos, para amadores nestas artes e para o público em geral.

Pierre Bayle (1) * Em defesa da tolerância religiosa

Pierre Bayle (1647-1706) filósofo, teólogo, professor e escritor, iniciou seus estudos na Academia Protestante de Puylaures e também estudou Filosofia no colégio jesuíta de Toulouse. Se converteu ao catolicismo, mas após algum tempo (18 meses) retornou ao protestantismo de vertente calvinista, chamado na França de Huguenote. Bayle pode ser categorizado como um pensador anti-sistemático e cético. Atuou como professor de filosofia e história. Adota uma atitude cética com base em Montaigne e Pirro, entendendo que o melhor a fazer é nunca afirmar ou negar coisa alguma. Assume uma atitude de total repulsa e oposição a todo absolutismo e dogmatismo. Defendeu a tolerância religiosa e é conhecido por ser autor de uma obra muito influente nos séculos XVII e XVIII, o “Dicionário histórico e crítico”, 1696 e 1697, considerada por alguns comentadores como sua principal obra. Em uma época de conflitos entre católicos e protestantes, Bayle procura se manter em uma posição equidistante destas controvérsias. Na opinião de Bayle, nenhuma das religiões positivas apresenta provas convincentes a razão de suas convicções, de suas verdades. Estas religiões se baseiam na credulidade humana, a qual, por sua vez, tem sua origem no respeito cego pela autoridade e pela tradição. Bayle separa a religião da razão e da moral. Afirma a contradição entre razão e fé e a inutilidade das controvérsias religiosas então comuns à sua época. No lugar dos debates teológicos, é preferível adotar uma atitude que caminhe da contradição para a dúvida e desta para a indiferença, chegando, por fim, a tolerância para com todos. Bayle defende a tolerância para com todas as crenças religiosas, combate a intolerância religiosa e considera inúteis as disputas religiosas, bem como, defende e anuncia a completa tolerância religiosa civil. Bayle entende que a violência se origina não da tolerância dos governantes, mas sim da intolerância dos religiosos. Defensor da tolerância, Bayle entende que a verdade tida por uma dada religião não pode ser imposta a força, cabe somente ser oferecida as pessoas, pois, somente por adesão dada em liberdade esta teria valor. Bayle assume uma atitude filosófica pela qual estabelece os fundamentos racionais da tolerância.

Jacques Bossuet (1) * O absolutismo e o direito divino dos reis de França

Jacques-Bénigne Bossuet (1627-1704) nasce em Dijon e falece em Paris, França. Proveniente de família de magistrados, sua educação se deu em colégio dos jesuítas, estudou teologia e foi ordenado padre e obteve o título de doutor em teologia em 1652. Atuou como Bispo, orador, teólogo, escritor, tutor do Delfin (o filho mais velho de Luís XIV) e conselheiro do rei Luís XIV, o rei sol, de França. Autor de belas peças de oratória inicialmente destinadas a sermões e orações fúnebres, bem como de vasta obra escrita abordando temas tais como: a espiritualidade, a instrução religiosa, os debates religiosos entre católicos e protestantes, e outras mais. Dentre as principais obras de Bossuet, temos: “Exposição Sobre a Doutrina da Igreja Católica Sobre as Questões da Controvérsia”, 1671, “O Discurso sobre a história universal”, 1681. No livro “Política tirada das Santas Escrituras”, 1679 (publicado postumamente em 1709) assume uma atitude de defesa do absolutismo e desenvolve uma doutrina do direito divino dos reis. Segundo esta forma de pensar, qualquer governo que seja legalmente formado é a expressão da vontade Divina, sendo, portanto, sagrado. Bossuet sustenta que qualquer rebelião contra um governo legítimo é um ato criminoso. O monarca deve governar seus súditos como se fosse o pai e estes seus filhos, a imagem de Deus pai todo poderoso diante de sua criação, no entanto, não deve o monarca se deixar afetar pelo poder. Bossuet desenvolveu uma teologia da história na qual procura demonstrar que a providência divina se apresenta como guia de toda a humanidade. A história universal vivida pela humanidade é a história da redenção humana por meio do sacrifício de Jesus Cristo. Em sua vida foi um autêntico devoto da Igreja Católica Apostólica Romana. É adepto do que se convencionou chamar de galicanismo, ou seja, que a Igreja estaria submetida ao Estado na França, cabendo ao rei assegurar o bem-estar de todos os seus súditos. Suas ideias sobre este tema são apresentadas no trabalho “Declaração do clero galicano”, 1682. Este movimento afirma a autonomia na Igreja na França (Gália, como era chamada nos tempos do Império Romano), limitando os poderes do Papa. Coube a Bossuet defender os privilégios dos reis franceses contra a autoridade do papa em Roma. Também combateu a arte do teatro, a partir de motivos religiosos que o levaram a ver imoralidade no mesmo. Atacou o individualismo religioso e afirmou o papel da providência divina no desenvolvimento da história humana

Blaise Pascal (1) * A vida e os pensamentos de Pascal

Blaise Pascal (1623-1662) foi um cientista francês do século XVII que deixou grandes contribuições, em particular nas áreas da física e da matemática. Proveniente de família aristocrática vinculada ao judiciário francês, nasce na cidade francesa Clermont-Ferrand e falece, então aos 39 anos de idade, na cidade de Paris, França. Atuou como matemático, escritor, físico, inventor, filósofo e teólogo. Seus primeiros trabalhos versam sobre as ciências naturais e aplicadas, mas também há de desenvolver uma contribuição filosófica sobre a natureza do humano, bem como, sua relação com Deus e a religiosidade. Defende a existência do vácuo, vazio, e formulou sua lei “a pressão de um líquido se transmite com a mesma intensidade em todas as direções”. No ano de 1640 publica “Essay pour les coniques” (Ensaio sobre as cônicas), livro em que formula o que conhecemos hoje como teorema de Pascal. Também importante é “Traité du triangle arithmétique” (Tratado sobre o Triângulo aritmético), 1653, onde descreveu uma apresentação tabular conveniente para os coeficientes binomiais, triângulo de Pascal. Escreveu “Oração pela Conversão”, 1659, que chamou a atenção e influenciou os ingleses fundadores da Igreja Metodista, os irmãos Charles Wesley (1707-1788) e John Wesley (1703-1791). Importante também o livro (inicialmente um prefácio) “l’Esprit géométrique” (Do Espírito Geométrico), de publicação póstuma. Também “l’Art de persuader” (Sobre a Arte da Persuasão), no qual estuda o método axiomático da geometria, e “Traité de l’équilibre des liqueurs” (Tratado sobre o equilíbrio dos líquidos), sobre hidrostática, publicado postumamente em 1663 e que revolucionou a engenharia mecânica, ao descrever os princípios para a construção da prensa hidráulica, que permite a multiplicação da força aplicada. Em “Les Provinciales” (Os Provinciais), 1656-1657, reúne suas contribuições sobre questões filosóficas e religiosas. A obra é composta por 18 cartas nas quais procura defender o jansenista (seguidores de Cornélius Jansenius – 1585-1638) Antoine Arnauld (1612-1694), na época oponente dos jesuítas e em julgamento na cidade de Paris, pelos teólogos. Em “Pensées” (Pensamentos – Apologia da Religião Cristã), 1670, temos um tratado sobre a espiritualidade com a defesa do cristianismo. Em 1654, conjuntamente com Pierre de Fermat (1601-1665), desenvolve seu trabalho sobre o cálculo de probabilidades, trabalho este que estabelece as bases para a posterior formulação de Leibniz do cálculo infinitesimal. Na física a contribuição de Pascal foi o desenvolvimento do Princípio de Pascal, teoria segundo a qual podemos ter o seguinte enunciado: “O acréscimo de pressão produzido num líquido em equilíbrio transmite-se integralmente a todos os pontos do líquido”, ou dito de outro modo “em um líquido em repouso ou equilíbrio as variações de pressão transmitem-se igualmente e sem perdas para todos os pontos da massa líquida”. Muito interessante, no livro “Pensamentos”, o argumento de Pascal sobre a existência ou não de Deus, quando este afirma que se tivermos de fazer uma aposta sobre esta questão é melhor apostar que Deus exista, pois, se ganhar, ganha tudo, já se perder, não perde coisa alguma ou se perder, perde-se muito pouco.

Baltazar Gracián (1) * A arte da prudência

Baltazar Gracián y Morales (1601-1658) nasce em Belmonte de Calatayud (hoje Belmonte de Gracián), Espanha e falece aos 57 anos de idade em Tarazona, Espanha. No ano de 1619, então com 18 anos de idade, ingressou na Companhia de Jesus (os jesuítas). Em 1627 é ordenado sacerdote. Foi reitor dos colégios Jesuítas de Tarragona e Valência. Seus interesses estão vinculados à teologia, à literatura e à filosofia. Atuou como sacerdote jesuíta, professor e escritor. Representante do conceptismo, vertente do barroco na Espanha. Sofre influência de Aristóteles. A ênfase presente em sua obra é direcionada à ética, à virtude e à prudência.
É autor de “El Heroe”, 1637, “El Político Don Fernando”, 1640, “Arte de ingenio”, 1642, “El Discreto”, 1646, “A arte da prudência (Oráculo manual e arte da prudência)”, 1647, livro de cunho filosófico composto por trezentos aforismos sobre o bem viver, “Agudeza y arte de engenho”, 1648, do romance “El Criticon” (O Crítico; 3 volumes), 1651 parte 1, e 1653 parte 2, e 1657 parte 3, uma das obras mais importantes da literatura em língua espanhola, “El Comungatorio”, 1655, um livro devocional.
Na sua obra temos que se destaca como tema a grandeza e a dignidade do humano, a miséria e a condição política e social deste humano. A sociedade corrompe o humano, desfigurando a imagem deste de Deus. O grande tema presente na obra de Baltasar é este humano.
Em “A arte da prudência” discorre sobre as relações humanas. Trata-se de algo semelhante a um manual de estratégias para viver bem. No livro, o autor leva em consideração no desenvolvimento de seus argumentos a instabilidade do humano no campo emocional. Entente Baltasar que o humano sempre age em busca de seus próprios interesses, não sendo possível prever seus atos. A argumentação exposta no livro é baseada na realidade, nos fatos. Entende que é importante ser precavido diante das circunstâncias de modo a poder atingir o equilíbrio.